domingo, 27 de novembro de 2011

Genebra em algumas palavras

Apesar dos franceses terem alguns pré-conceitos em relação à Suiça ("não tem nada além de vacas, montanhas e chocolate", "a gente se aborrece por lá") consegui convencer o meu marido a embarcar nessa viagem segura (pois a Suiça não é exatamente a imagem que fazemos de uma aventura) utilizando dois argumentos imbatíveis aqui em casa: "existem muitos museus para visitar e você pode comprar todo o chocolate que desejar". Nada muito difícil.

Genebra é o destino mais simples para quem sai de Paris, com vários trens que nos deixam praticamente no centro da cidade em 3 horas. Além disso, a língua oficial é o francês (mas "todo mundo" lá fala inglês).

Banhada pelo Lago Léman e rodeada de montanhas, o que para mim representa a definição de uma paisagem idílica. 



Infelizmente a nossa viagem ocorreu no mês de novembro que tanto na França quanto na Suiça (pelo que pude perceber!) o Sol tem grande dificuldade em aparecer... Então os 2 dias que passamos em Génève foram de muita neblina, cinzas, o que deixa a cidade, na nossa opinião, com um ar de desolação... O que para mim não deixa de ter o seu charme!
Podemos perceber que a cidade cultiva realmente uma grande qualidade de vida... Se você colocar um tênis e roupa esportiva e não for praticar esportes, provavelmente vai se sentir deslocado na paisagem, pois nas ruas as pessoas são chiques e bem-vestidas.

Uma noite em hotel dá direito a uma carta de transportes, mas a cidade sendo pequena, fizemos praticamente todos os trajetos à pé, já que a maioria das atrações se encontram no centro da cidade, ao redor do lago.

O centro histórico da cidade é um passeio muito agradável, que inclui uma subida a catedral São Pedro, que a partir do século XVI foi templo da Reforma (protestante) e local onde pregava Calvin (lembram das aulas de história?) de 1536 até a sua morte em 1564. Podemos subir ao topo de uma das torres de onde temos uma vista incrível da cidade:




Podemos admirar e visitar a Casa Tavel, a mais antiga casa de Genebra, inteiramente reconstruída pela família após um grande incêndio em 1334 (que destruiu metade da cidade), e que atualmente abriga um museu com antigos objetos da vida quotidiana na cidade.
 A torre faz parte da casa Tavel. O hotel "Les Armures" possui um respeitado restaurante no qual Bill Clinton fez uma refeição e aparentemente apreciou muito. Queriamos muito jantar lá, mas o mesmo estava completo durante todo o final de semana (como praticamente todos os restaurantes da cidade)... Disseram-nos que para conseguir uma mesa sábado à noite as vezes é necessário reservar com semanas de antecedência.

O Hôtel de Ville (quase o nosso equivalente de prefeitura) também é muito bonito! Eh a sede do Conselho de estado e do Parlamento, com seus 100 deputados!


Para quem deseja compreender a história de Genebra, é impossível não ter em mente os conflitos religiosos e a Reforma. Em todos os cantos vemos alusões a esse momento que marcou esse povo. No Parque des Bastions podemos admirar esse Muro dos Reformadores:

 Guillaume Farel, Jean Calvin, Théodore de Bèze e John Knox.

Nesse mesmo parque encontrei meu amigo Jean Piaget de longa data e outras "figurinhas" agradáveis.

 Como em quase todas as cidades da Europa, as cores do outono também caem bem à Genebra!


A Igreja Russa de destaca de longe na paisagem... Interior muito lindo com seus numerosos ícones que vão dos século XVI ao XX. Entrada gratuita, mediante uma oferenda a encargo do doador, e fotos proibidas no interior. Fiéis orando em russo em voz alta (cantando?) praticamente durante todo o dia. Belo espetáculo!



Genebra sendo uma cidade relativamente cara corroborando a sua reputação, essa vaquinha foi uma das únicas coisas que comprei! Quem mereceu o presente foi a minha irmã, que não se separa dela e a apelidou de "vaquinha enfermeira", influênciada pelos colegas também enfermeiros!

 Contando as horas para o próximo destino!

Para viajar sem sair de casa:
A Bela do Senhor, de Albert Cohen. A história começa na genebra dos anos 30. Considerado uma das obras de artes literárias do século XX. para quem gosta de literatura e romances, a ler absolutamente!!!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Moda Gestante da França

Bem, não chego a estar obcecada por esse assunto mesmo que o último post sobre o tema possa ter deixado transparecer, mas há tempos queria escrever sobre o quanto eu me espantei, chegando na França e encontrando em todos os cantos referências à maternidade! 

Também sempre fiquei surpresa que em muitas lojas existem sessões específicas para as futuras mamães, para a pura felicidade delas! Encontramos roupas adequadas à esse período da vida da mulher desde lojas baratinhas como H&M, C&A, até lojas de maior qualidade e preços menos bon marché (barato), como GAP. isso apenas para citar algumas!

Posso estar muito mal informada, mas até alguns anos no Brasil era muito difícil encontrar roupas para gestantes, tudo estando concentrado em pouaquíssimas (e caras) lojas especializadas. A maioria das grávidas que eu conheci tinham a escolha entre tentar se virar com roupas fabricadas para mulheres em estado de "não-gravidez" ou então os macacões de gestantes caríssimos e que elas nunca mais usariam na vida!

Bom saber que se um dia eu decidir engravidar, ao menos poderei me vestir bem sem ir à falência!!! Vai a dica para quem precisa dar uma equipada no guarda-roupa!

Vitrine da Gap de setembro/2011 (para provar que a idéia do post é meio antiguinha!)

Uma particularidade que vejo por aqui é que raramente veremos uma gestante de barriga de fora. mesmo na praia é raro... Tenho a impressão que os franceses até acham um pouco "obsceno". Eles nunca me falaram isso diretamente, foi apenas uma impressão vendo a cara deles e os comentários cada vez que viam uma grávida mostrando a barriga. E aquelas fotos de estúdio, tão famosas no Brasil mostrando a evolução da gravidez ou os últimos momentos. Já comentei sobre filmar o parto com alguns, que me olharam boquiabertos...

E então, o que vocês acham? A moda evoluiu no Brasil para as gestantes? E como funciona onde vocês vivem.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

De um livro a outro!

Le Château de ma Mère (o castelo de minha mãe):

Esse livro do escritor francês (e provençal) Marcelo Pagnol é o segundo volume do recito autobiográfico "Les souvenirs d'enfance" (lembranças da infância). A narração é em primeira pessoa e é ele na pele de seus 8 anos que conta a história de suas aventuras de infância e de família. O texto é lindo, a escritura perfeita e simples. A gente entra no personagem do pequeno Marcel, revive uma amizade e uma relação de família que raramente vemos hoje em dia... O epílogo melancólico que fala do tempo que passa encheu meus olhos de lágrimas, nem me dei conta que estava no trem voltando para casa! Imagino que seja facilmente encontrado em outros idiomas.

A história se passa antes da Primeira Grande Guerra, em uma França que a gente não imagina hoje em dia. E esse capítulo triste me fez pensar que as guerras  (mesmo que o livro não fale disso!) foram algo que construiu a personalidade dos franceses (e outros europeus, é claro). Para nós brasileiros foi algo distante, que não nos marcou diretamente. Mas ainda hoje vejo todos os dias pessoas nascidas no início dos anos 30, e fico pensando "ela tinha 7 anos quando a II Guerra começou, o que será que mudou na sua vida? será que seu pai sobreviveu? E seus irmãos?";

Marcelo Pagnol nasceu em 1895, estudou em Marselha e terminou seus estudos em Aix-en-Provence. Escreveu várias peças de teatro, romances, artigos literários. Mais tarde começou a fazer filmes. Todo francês conhece as suas obras (geralmente seus livros são lidos na escola) e conhece seus principais filmes. Uma de suas últimas obras adaptadas ao cinema foi "La fille du puisatier", um retrato da Provence da sua época. 

L'Impératrice de la Soie (Imperatriz da seda)

Uma trilogia do escritor francês José Frèches que concluí essa semana. Frèches é apaixonado pela civilização chinesa, além de outras civilizações orientais. Muito jovem ele passou em um concourso para conservador de museu e trabalhou no museu Guimet em Paris (arte asiátiaca), Louvre, dentre outros. Essa saga se passa no século VII d.C. na Rota da Seda, ligando diversas cidades da China da dinastia Tang, India, Tibet, etc. Envolve religião (as disputas de poderes entre as diversas correntes budistas e o cristianismo que tenta se inserir nessa conjuntura), poder e as diferentes raças e etnias que se encontram nesse caminho. Adoro romances desse tipo (história e aventura), baseado em elementos da realidade. Um aspecto que pode chocar os desavisados: as relações íntimas são descritas em detalhes... E com base nesses detalhes, podemos pensar que esse povo era bem safadinho!!! hahahah

Time of my life

A autobiografia de Patrick Swayze. Gostei muito de ler sobre a vida desse ator cuja luta contra o câncer foi uma lição de vida. O livro me fez pensar em muitas coisas... Por exemplo, eu sempre pensava que "essas pessoas" tinham "tudo": fama, dinheiro, etc... Mas a gente acaba entrando na cabeça deles e vê que a lógica dele não é a mesma que a nossa... O que para mim parecia suficiente, não o era para ele e nunca seria... Mesmo que eu continue não aprovando alguns comportamentos, fica mais fácil entender! A escritura não é lá uma Brastemp, mas para quem gosta de autobiografias, vale a pena! Claro que em uma biografia a pessoa conta o que quer...



Estou com uma dúvida cruel: o que quero ler agora? 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Diálogo feminino

- Você é casada, não é?

- Sou.

- Mas não tem filhos ?

- Não.

- E por que não?

(como explicar as minhas crises de existência, minha dúvidas, meus medos...?)
- Néao sinto ainda esse chamado da natureza.

- Mas quantos anos você tem?

- 31.

- Não é mais tão nova, tem que começar a pensar!

- Se eu estivesse no Brasil talvez já tivesse ido em frente, mas aqui me sinto sozinha sem minha família... tenho medo de não conseguir gerar tudo, filho, marido, carreira, casa... De nunca mais ter uma casa em ordem, de nunca mais ir ao cinema, ao teatro ou aproveitar de um jantar romântico com meu marido... De nunca mais me sentir mulher, profissional, e viver apenas para ser mãe.

- Mas eu também quase família aqui, estão todos na Argélia, e os que estão aqui também trabalham e não podem se ocupar da minha vida no meu lugar. Eh verdade que quando a gente tem filho deixa a vida de casal em segundo plano e o trabalho se torna apenas um ganha-pão, a gente pensa em uma promoção apenas para ganhar mais e poder pagar os estudos dos filhos... Meu marido e eu nunca mais fomos ao teatro ou jantamos zosinhos... Mas você vai ver, o tempo passa rápido! Agora meu filho tem 6 anos e poderá viajar em colônia de férias, e então teremos um momento de novo só para o casal!!!

- Obrigada, vou refletir.

(diálogo ocorrido hoje de manhã com a agente de limpeza da estação que me conhece desde que vim morar aqui, mas poderia ser um diálogo com qualquer uma das mulheres com quem falo todos os dias... pois todo dia é a mesma conversa! Ou então poderia ser o meu pai! Ele não se incomoda de insistir que passando dos 30 em breve estarei passando da idade!!!)

domingo, 20 de novembro de 2011

PsyCause(s)*


Assisti sexta-feira uma excelente peça de teatro que trata das angústias femininas: PsyCause(s).  Escrita pela propria atriz e representada inicialmente no teatro do Renard em Paris e no Festival de Teatro de Avignon, depois ficou algum tempo em cartaz no teatro do Marais (ambos em Paris), e atualmente está em tournée em diversas cidades francesas e em breve na Bélgica.

O meu lado psicológa apreciou muito a consistência do texto e a representação dos personagens (todos interpretados pela mesma atriz, Josiane Pinson, em um monólogo rico, profundo e credível). 

A história trata de uma psi (canalista), que para a sociedade e seus pacientes é vista como um símbolo de equilíbrio... Como é dificil explicar na vida real que somos um ser humano como qualquer outro, quando esperam de nos atitudes e comportamentos perfeiros, além de um perfeito controle das nossas reações e sentimentos?

Confrontada com as angústias e medos de suAs pacientes (pois estatisticamente mulheres são maioria seguindo um tratamento psicoterápico), ela vive as mesmas angústias de (praticamente) toda mulher que está envelhecendo... Pode parecer uma peça destinada às mulheres, mas tinha muito homem na platéia, e pelo que pude observar (e escutar logo após o espetáculo), eles também apreciaram! Situações dramáticas, sim, mas muito humor, que para alguns pode ser chamado de "negro", mas eu diria sutil e requintado...
Fotos Google Imagens
E toda essa emoção em uma cena bem simples, apenas com uma poltrona, luzes e sons... E a atriz, é claro, com toda a sua "presença de palco" que multiplica os personagens, cada um mais vivo e mais tocante que o outro!

Adoro esse tipo de peça, então recomendo para quem estiver por perto de uma das próximas representações e que compreenda bem a língua francesa! Caso contrário fica difícil entender as sutilidades...

* um jogo de palavras que lembra "psychose" (psicose), e as causas de problemas psíquicos (causes)

Gosta de teatro? Então pode gostar de ler a respeito de outras peças:
- Soif