segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Diálogo feminino

- Você é casada, não é?

- Sou.

- Mas não tem filhos ?

- Não.

- E por que não?

(como explicar as minhas crises de existência, minha dúvidas, meus medos...?)
- Néao sinto ainda esse chamado da natureza.

- Mas quantos anos você tem?

- 31.

- Não é mais tão nova, tem que começar a pensar!

- Se eu estivesse no Brasil talvez já tivesse ido em frente, mas aqui me sinto sozinha sem minha família... tenho medo de não conseguir gerar tudo, filho, marido, carreira, casa... De nunca mais ter uma casa em ordem, de nunca mais ir ao cinema, ao teatro ou aproveitar de um jantar romântico com meu marido... De nunca mais me sentir mulher, profissional, e viver apenas para ser mãe.

- Mas eu também quase família aqui, estão todos na Argélia, e os que estão aqui também trabalham e não podem se ocupar da minha vida no meu lugar. Eh verdade que quando a gente tem filho deixa a vida de casal em segundo plano e o trabalho se torna apenas um ganha-pão, a gente pensa em uma promoção apenas para ganhar mais e poder pagar os estudos dos filhos... Meu marido e eu nunca mais fomos ao teatro ou jantamos zosinhos... Mas você vai ver, o tempo passa rápido! Agora meu filho tem 6 anos e poderá viajar em colônia de férias, e então teremos um momento de novo só para o casal!!!

- Obrigada, vou refletir.

(diálogo ocorrido hoje de manhã com a agente de limpeza da estação que me conhece desde que vim morar aqui, mas poderia ser um diálogo com qualquer uma das mulheres com quem falo todos os dias... pois todo dia é a mesma conversa! Ou então poderia ser o meu pai! Ele não se incomoda de insistir que passando dos 30 em breve estarei passando da idade!!!)

domingo, 20 de novembro de 2011

PsyCause(s)*


Assisti sexta-feira uma excelente peça de teatro que trata das angústias femininas: PsyCause(s).  Escrita pela propria atriz e representada inicialmente no teatro do Renard em Paris e no Festival de Teatro de Avignon, depois ficou algum tempo em cartaz no teatro do Marais (ambos em Paris), e atualmente está em tournée em diversas cidades francesas e em breve na Bélgica.

O meu lado psicológa apreciou muito a consistência do texto e a representação dos personagens (todos interpretados pela mesma atriz, Josiane Pinson, em um monólogo rico, profundo e credível). 

A história trata de uma psi (canalista), que para a sociedade e seus pacientes é vista como um símbolo de equilíbrio... Como é dificil explicar na vida real que somos um ser humano como qualquer outro, quando esperam de nos atitudes e comportamentos perfeiros, além de um perfeito controle das nossas reações e sentimentos?

Confrontada com as angústias e medos de suAs pacientes (pois estatisticamente mulheres são maioria seguindo um tratamento psicoterápico), ela vive as mesmas angústias de (praticamente) toda mulher que está envelhecendo... Pode parecer uma peça destinada às mulheres, mas tinha muito homem na platéia, e pelo que pude observar (e escutar logo após o espetáculo), eles também apreciaram! Situações dramáticas, sim, mas muito humor, que para alguns pode ser chamado de "negro", mas eu diria sutil e requintado...
Fotos Google Imagens
E toda essa emoção em uma cena bem simples, apenas com uma poltrona, luzes e sons... E a atriz, é claro, com toda a sua "presença de palco" que multiplica os personagens, cada um mais vivo e mais tocante que o outro!

Adoro esse tipo de peça, então recomendo para quem estiver por perto de uma das próximas representações e que compreenda bem a língua francesa! Caso contrário fica difícil entender as sutilidades...

* um jogo de palavras que lembra "psychose" (psicose), e as causas de problemas psíquicos (causes)

Gosta de teatro? Então pode gostar de ler a respeito de outras peças:
- Soif

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"Du pain et des idées": a melhor boulangerie* de Paris!

Neta e bisneta de padeiros, a minha vida seria muito triste sem pão e tudo o mais que se faz em uma padaria... Passei toda a minha infância provando as delícias que fazia meu avô, já aposentado na época. E felizmente aqui na França posso viver plenamente essa paixão, pois o pão é uma das paixões nacionais. Você conhece um francês que não come pão durante as refeições? Deve existir em algum recanto isolado do país... Mas eu que conheço francês que não bebe vinho e francês que não come queijo, nunca vi um que não comesse pão!!!
E o verdadeiro pão francês é crocante por fora e macio por dentro. E se conserva por 48 horas, nada a ver com o pão de supermercado ou de padarias de qualidade duvidosa que algumas horas depois estão duros como pedra! 
E foi com muita alegria que há quase 2 anos fui apresentada à melhor boulangerie (padaria) de Paris... Ao menos para mim e para as pessoas que costumam freqüentá-la! 

Situada perto do metrô Republique em um ambiente datando de 1889, foi nesse local que Christophe Basseur decidiu abrir a sua padaria em 2002. Oriundo de uma família de médicos para os quais um trabalho desse tipo que não exige longos estudos é visto atravessado, aos 31 anos ele largou sua carreira bem sucedida, terno e gravata, para aprender a ser padeiro. Em 2008 foi eleito melhor padeiro de Paris! Não era para menos! Um apaixonado pelo que faz, e ele faz realmente maravilhas!!! Um pão que respeita as tradições como quase não se vê mais por aí... Fabricação artesanal, utilizando apenas ingredientes naturais. 

Mas o que eu adoro dessa padaria é a criatividade... Produtos que não encontro em nenhum outro lugar, como pães salgados com recheios diversos, por exemplo: tomates secos; espinafre e ricota; bacon e vários tipos de queijos... Um mais delicioso que o outro!!!

Hoje o tema era a recolta da uva para o vinho, e provei um delicioso e perfumado pão ao vinho tinto, salame e nozes!!! Impossível descrever a explosão de sabores!

Pain des vendanges
Sylvain é fã das vienoisseries, como o escargot (nome devido a sua forma "enrolada", lembrando um caracol, ou seja, um escargot) au pistache, aux pralines de Lyon... Uma vez ele quase enlouqueceu com o escargot ao caramelo, mas esse infelizmente não é feito sempre!

O único inconveniente é que essa padaria fica pertinho da academia que frequento, então muitas vezes não consigo me controlar e reabasteço o corpo de todas as calorias que queimei e ainda mais! Mas não se pode ter tudo na vida, não é?


Du pain et des idées (Pães e Idéias), aberta de segunda a sexta.
34, rue Yves Toudic
75010 PARIS
http://dupainetdesidees.com/amidupain.html
(no site há um vídeo bem legal que explica um pouco da história dessa padaria e das pessoas que nela trabalham, assim como várioas informações interessantes sobre o processo de fabricação!)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

El Picador - comida espanhola em Paris

Vontade de mudar o cardápio e degustar um prato espanhol em Paris?
El Picador é um restaurante que pertence à mesma família há 3 gerações, e eles garantem que as receitas são passadas de pai para filho... 
Na prática, um ambiente familiar, aconchegante, e a comida é deliciosa!

Entradas:

 EL PLATO "SAVOR"
LA ENSALADA DE BOQUERONES

E ela....
LA PAELLA MIXTA VALENCIANA

O restaurante serve 3 tipos de paellas, mas o mesmo é servido para no mínimo 2 pessoas (ou seja, duas pessoas devem encomendar o mesmo prato). Esse é o único inconveniente quando se vai sozinho ou quando as pessoas querem provar pratos diferentes!

Restaurante EL PICADOR
80, Boulevard des Batignolles
75017 PARIS
http://www.elpicador.fr

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Com ou sem sal?

Uma das coisas que aprendi aqui na França foi a comer com menos sal...
Tanto é que apenas 3 anos após chegar aqui, consegui terminar meu primeiro sal de 500gr!!! 

Claro que acabo comendo mais sal quando faço as refeições fora de casa, ou em produtos industrializados ou semi, como a mostarda que adoro, pepino em conserva, manteiga que sempre compro com sal, os queijos... Até no croissant tem sal!!!

O sal é uma preocupação frequente dos franceses, e em restaurantes geralmente os pratos são muito pouco salgados, dando a impressão de ser "fade" sem gosto) para o paladar de muitos brasileiros. E sempre que vejo receitas em revistas ou em programas de tv, o sal sempre vem no final!

Se para mim é difícil abolir completamente o sal (e nem se deve, já que o sódio em pequenas quantidades é indispensável para o funcionamento dos rins e do sistema neuroendócrino), e tendo pressão baixa só me sinto melhor após comer algo bem salgadinho ou de colocar uma pedrinha de sal na língua, foi possível reduzir, apreciando muito mais o sabor de cada alimento. Eu diria que a vida com menos sal tem muito mais sabor!

Quer salgar seus pratos de forma mais requintada? Então utilize uma pitadinha de fleur de sel (flor de sal), que são cristais de sal que se formam na superfície dos pântanos salgados, geralmente pela evaporação causada pelo vento. Não tem nada a ver com o sal grosso! Os cristais são finos e leves, de sabor bem mais delicado que o sal normal. penetra facilmente nos alimentos e deve ser utilizado no final do cozimento (geralmente é servido à mesa e adicionado alguns momentos antes da degustação do prato).

O sal aqui na França vem principalmente de duas regiões: a Guérande e a Camargue.