domingo, 20 de novembro de 2011

PsyCause(s)*


Assisti sexta-feira uma excelente peça de teatro que trata das angústias femininas: PsyCause(s).  Escrita pela propria atriz e representada inicialmente no teatro do Renard em Paris e no Festival de Teatro de Avignon, depois ficou algum tempo em cartaz no teatro do Marais (ambos em Paris), e atualmente está em tournée em diversas cidades francesas e em breve na Bélgica.

O meu lado psicológa apreciou muito a consistência do texto e a representação dos personagens (todos interpretados pela mesma atriz, Josiane Pinson, em um monólogo rico, profundo e credível). 

A história trata de uma psi (canalista), que para a sociedade e seus pacientes é vista como um símbolo de equilíbrio... Como é dificil explicar na vida real que somos um ser humano como qualquer outro, quando esperam de nos atitudes e comportamentos perfeiros, além de um perfeito controle das nossas reações e sentimentos?

Confrontada com as angústias e medos de suAs pacientes (pois estatisticamente mulheres são maioria seguindo um tratamento psicoterápico), ela vive as mesmas angústias de (praticamente) toda mulher que está envelhecendo... Pode parecer uma peça destinada às mulheres, mas tinha muito homem na platéia, e pelo que pude observar (e escutar logo após o espetáculo), eles também apreciaram! Situações dramáticas, sim, mas muito humor, que para alguns pode ser chamado de "negro", mas eu diria sutil e requintado...
Fotos Google Imagens
E toda essa emoção em uma cena bem simples, apenas com uma poltrona, luzes e sons... E a atriz, é claro, com toda a sua "presença de palco" que multiplica os personagens, cada um mais vivo e mais tocante que o outro!

Adoro esse tipo de peça, então recomendo para quem estiver por perto de uma das próximas representações e que compreenda bem a língua francesa! Caso contrário fica difícil entender as sutilidades...

* um jogo de palavras que lembra "psychose" (psicose), e as causas de problemas psíquicos (causes)

Gosta de teatro? Então pode gostar de ler a respeito de outras peças:
- Soif

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"Du pain et des idées": a melhor boulangerie* de Paris!

Neta e bisneta de padeiros, a minha vida seria muito triste sem pão e tudo o mais que se faz em uma padaria... Passei toda a minha infância provando as delícias que fazia meu avô, já aposentado na época. E felizmente aqui na França posso viver plenamente essa paixão, pois o pão é uma das paixões nacionais. Você conhece um francês que não come pão durante as refeições? Deve existir em algum recanto isolado do país... Mas eu que conheço francês que não bebe vinho e francês que não come queijo, nunca vi um que não comesse pão!!!
E o verdadeiro pão francês é crocante por fora e macio por dentro. E se conserva por 48 horas, nada a ver com o pão de supermercado ou de padarias de qualidade duvidosa que algumas horas depois estão duros como pedra! 
E foi com muita alegria que há quase 2 anos fui apresentada à melhor boulangerie (padaria) de Paris... Ao menos para mim e para as pessoas que costumam freqüentá-la! 

Situada perto do metrô Republique em um ambiente datando de 1889, foi nesse local que Christophe Basseur decidiu abrir a sua padaria em 2002. Oriundo de uma família de médicos para os quais um trabalho desse tipo que não exige longos estudos é visto atravessado, aos 31 anos ele largou sua carreira bem sucedida, terno e gravata, para aprender a ser padeiro. Em 2008 foi eleito melhor padeiro de Paris! Não era para menos! Um apaixonado pelo que faz, e ele faz realmente maravilhas!!! Um pão que respeita as tradições como quase não se vê mais por aí... Fabricação artesanal, utilizando apenas ingredientes naturais. 

Mas o que eu adoro dessa padaria é a criatividade... Produtos que não encontro em nenhum outro lugar, como pães salgados com recheios diversos, por exemplo: tomates secos; espinafre e ricota; bacon e vários tipos de queijos... Um mais delicioso que o outro!!!

Hoje o tema era a recolta da uva para o vinho, e provei um delicioso e perfumado pão ao vinho tinto, salame e nozes!!! Impossível descrever a explosão de sabores!

Pain des vendanges
Sylvain é fã das vienoisseries, como o escargot (nome devido a sua forma "enrolada", lembrando um caracol, ou seja, um escargot) au pistache, aux pralines de Lyon... Uma vez ele quase enlouqueceu com o escargot ao caramelo, mas esse infelizmente não é feito sempre!

O único inconveniente é que essa padaria fica pertinho da academia que frequento, então muitas vezes não consigo me controlar e reabasteço o corpo de todas as calorias que queimei e ainda mais! Mas não se pode ter tudo na vida, não é?


Du pain et des idées (Pães e Idéias), aberta de segunda a sexta.
34, rue Yves Toudic
75010 PARIS
http://dupainetdesidees.com/amidupain.html
(no site há um vídeo bem legal que explica um pouco da história dessa padaria e das pessoas que nela trabalham, assim como várioas informações interessantes sobre o processo de fabricação!)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

El Picador - comida espanhola em Paris

Vontade de mudar o cardápio e degustar um prato espanhol em Paris?
El Picador é um restaurante que pertence à mesma família há 3 gerações, e eles garantem que as receitas são passadas de pai para filho... 
Na prática, um ambiente familiar, aconchegante, e a comida é deliciosa!

Entradas:

 EL PLATO "SAVOR"
LA ENSALADA DE BOQUERONES

E ela....
LA PAELLA MIXTA VALENCIANA

O restaurante serve 3 tipos de paellas, mas o mesmo é servido para no mínimo 2 pessoas (ou seja, duas pessoas devem encomendar o mesmo prato). Esse é o único inconveniente quando se vai sozinho ou quando as pessoas querem provar pratos diferentes!

Restaurante EL PICADOR
80, Boulevard des Batignolles
75017 PARIS
http://www.elpicador.fr

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Com ou sem sal?

Uma das coisas que aprendi aqui na França foi a comer com menos sal...
Tanto é que apenas 3 anos após chegar aqui, consegui terminar meu primeiro sal de 500gr!!! 

Claro que acabo comendo mais sal quando faço as refeições fora de casa, ou em produtos industrializados ou semi, como a mostarda que adoro, pepino em conserva, manteiga que sempre compro com sal, os queijos... Até no croissant tem sal!!!

O sal é uma preocupação frequente dos franceses, e em restaurantes geralmente os pratos são muito pouco salgados, dando a impressão de ser "fade" sem gosto) para o paladar de muitos brasileiros. E sempre que vejo receitas em revistas ou em programas de tv, o sal sempre vem no final!

Se para mim é difícil abolir completamente o sal (e nem se deve, já que o sódio em pequenas quantidades é indispensável para o funcionamento dos rins e do sistema neuroendócrino), e tendo pressão baixa só me sinto melhor após comer algo bem salgadinho ou de colocar uma pedrinha de sal na língua, foi possível reduzir, apreciando muito mais o sabor de cada alimento. Eu diria que a vida com menos sal tem muito mais sabor!

Quer salgar seus pratos de forma mais requintada? Então utilize uma pitadinha de fleur de sel (flor de sal), que são cristais de sal que se formam na superfície dos pântanos salgados, geralmente pela evaporação causada pelo vento. Não tem nada a ver com o sal grosso! Os cristais são finos e leves, de sabor bem mais delicado que o sal normal. penetra facilmente nos alimentos e deve ser utilizado no final do cozimento (geralmente é servido à mesa e adicionado alguns momentos antes da degustação do prato).

O sal aqui na França vem principalmente de duas regiões: a Guérande e a Camargue.

sábado, 12 de novembro de 2011

Intouchables e outros filmes franceses

Intouchables (Intocaveis)


Hoje fui assistir esse filme francês que está dando o que falar, a sensação do ano! O filme, baseado em uma historia real, fala do encontro improvável de um homem rico e tetraplégico com um jovem pobre de periferia, de passado duvidoso. Mas antes de ser uma lição de vida, um filme com uma mensagem e tudo o mais, o que faz a sensação do filme são os diálogos "cortantes" e o humor, até então muito pouco (ou quase nada) levados em conta em filmes que tratam de deficiência e limites.
Salas lotadas, público mais do que satisfeito, esse é sendo o resultado do filme até então... Especialistas estimam que esse filme francês baterá todos os recordes. Será mesmo distribuido nos EUA e os direitos foram vendidos para a realização de uma versão americana. Um filme do qual todo mundo fala aqui na França e se a gente não viu, fica com cara de paisagem nas conversas atuais!

E a minha opinião pessoal? Adorei! Interpretação tocante de François Cluzet (que adoro). Um filme lindo, com muito humor, muito sentimento e muita verdade...

          Como o tempo não está muito para cinema, com o maridão atolado de trabalho, o cinema tem sido o que menos temos feito ultimamente - ele passará uma inspeção no final do mês que dura 2 semanas, na qual o inspetor vem avaliar seu trabalho, então ele precisa apresentar as fichas pedagógicas de suas 19 classes, com objetivos, metodologia, referências teóricas e resultados, tudo de acordo, é claro, com o programa da educação nacional, ou seja, são centenas e centenas de páginas; além disso, como as aulas serão observadas, ele precisa mostrar que consegue transmitir o conhecimento e gerenciar uma sala de aula muitas vezes com alunos difíceis, já que trabalha em uma zona de educação prioritária, que quer dizer em outras palavras "difícil".
         Foi assim que aproveitei para assistir alguns filmes mais velhinhos, por coincidência todos franceses, e venho aqui trazê-los para vocês:

Paris

Muitos filmes que conheço se chamam Paris, mas esse é do realizador Cédric Klapisch, com os atores Romain Duris (L'arnacoeur, Albergue Espanhol), Juliette Binoche (Chocolate), François Cluzet (Intouchables), dentre outros.
Romain Duris é um dançarino parisiense que precisa de um transplante de coração para tentar continuar a viver... Sem poder mais dançar, ele se interroga sobre a vida, passa seu tempo a observar os outros, dando um sentido novo à vida e às pessoas que ele cruza... Vários personagens desfilam pela historia, cada um com sua existência única, seus problemas únicos. Mesmo os problemas mais insignificantes que podem nos parecer, para quem os vive são os mais importantes do mundo... E toda essa historia é contada tendo como cenário Paris, "la plus belle ville du monde" (a mais bela cidade do mundo), em um clima de inverno e de nostalgia...

Jeu d'enfants (Jogo de Crianças).
Um menino e uma menina de mundos diferentes (ela originária de uma família pobre polonesa), ele de classe média francesa que se cruzam e começam a jogar um jogo que aqui na França parece que é comum "cap ou pas cap?" (você é capaz ou incapaz de fazer isso?). E eles são capazes de tudo! O jogo começa com o menino tentando esquecer que a sua mãe vai morrer de câncer, e a menina tentando esquecer suas origens, já que é discriminada na escola. Com o passar do tempo, eles são capazes de qualquer coisa: do bem e do mal, ultrapassando todos os limites, desafiando tudo e todos... Menos de confessar que se amam. Mas será que se amam mesmo, ou é apenas mais um jogo? 
A idéia do filme é muito interessante, Marion Cotillard (Edith Piaf) e Guillaume Canet (atualmente um casal na vida real e pais de Marcel, nascido esse ano) estão em ótima forma, no auge da juventude... Mas na verdade existe algo que não gostei no filme: as crianças que fazem o que querem, sem nenhum senso de limites... Isso me incomodou muito!

Espion(s)
Guillaume Canet (ainda ele!) é um jovem brilhante que vive de pequenos empregos, tendo recusado o caminho que poderia ter seguido proporcionado por seus estudos. Ele trabalha no aeroporto de Paris (Charles de Gaulle), e com um colega tem o hábito de roubar pertences nas bagagens. Mas um dia seu amigo morre diente dele em uma explosão ao tentar mexer em uma bagagem diplomática (que pela lei, não pode ser revistada nem passada por nenhum controle). Então, tocado pela morte do colega e amigo, e colocado contra a parede pela "polícia", que o ameaça de cadeia, ele se vê obrigado a seguir uma missão de "espião" em Londres, em busca da resolução desse mistério da bagagem diplomática explosiva.  Um filme médio, uma sensação de "dejà vu" (já vista, nada de novo). Passei um bom momento em frente a telinha, mas o tipo de filme que a gente assiste e esquece logo apos... O ponto alto é a interpretação de Canet, sempre na pele de seus personagens improváveis que conseguem nos seduzir acima de toda probabilidade...

Além dos filmes americanos e estrangeiros que chegam às massas por aqui, a gente não se aborrece com o cinema francês! Tem para todos os gostos!!!