segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Museus de Copenhague

Existem muitos, de muita qualidade e ainda por cima a maior parte é gratuito!!!

O primeiro que visitamos foi o Statens Museum for Kunst (museu de Belas-Artes, entrada gratuita para a coleção permanente, e paga para as exposiçéoes temporárias), com uma bela coleção de pinturas e esculturas dinamarquesas, escandinávias e européias. Escolhi esse pois estou em uma fase Munch e ali poderia ver de perto algumas obras:

Evening Talk (1889), de Edvard Munch

 Death Struggle (esquerda), o outro esqueci o nome!

Adorei o Portrait d'Alice, de Modigliani:

Infelizmente as obras de Picasso, Cranach e Rembrandt não estavam disponíveis, pois no lugar estava ocorrendo uma exposição sobre Toulouse-Lautrec, como mostra na entrada do museu:

Outra visita importante é o Nationalmuseet (museu nacional, entrada gratuita), gigantesco, moderno e organizado de forma lógica e inteligente. A coleção retrata a história da Dinamarca nos últimos 10 mil anos! Com crianças, ainda mais interessante!


Como não poderia deixar de ser, uma grande parte é dedicada à história viking. Idade Média também está muito bem representada, com reconstituição de belas salas! A gente se sente em uma tela de Van Eyck

Se sobrar um tempinho, não deixe de visitar a ala reservada às antiguidades romanas, egípcias, gregas e do próximo-oriente. Apaixonada pelo Egito, não pude deixar de dar uma olhadinha!


Uma surpresa muito agradável foi a descoberta por acaso do Davids Samling (coleção David, entrada gratuita). Ficava perto do nosso hotel e Sylvain tinha visto um cartaz com umas miniaturas indianas (uma de suas paixões, antes mesmo de mim!). Conseguimos passar no último dia, e ficamos apaixonados pelo local  e pela coleção!
O rico colecionador possui uma imensa coleção de arte islâmica, de todos os períodos. O "museu" se encontra em um antigo hotel particular, com dezenas e dezenas de salas... O primeiro e segundo andares representam interiores burgueses, com cerâmicas européias e pinturas dinamarquesas da Idade de Ouro, mas os últimos andares são dedicados à incomparável coleção islâmica. As miniaturas indianas e persas eram de uma delicadeza!



Infelizmente não tivemos tempo de visitar o Ny Carlsberg Glytotek (isso mesmo, o da cerveja Carlsberg). Fica quem sabe para a próxima? Mais uma razão para voltar!!!

domingo, 6 de novembro de 2011

Restaurante Le Procope, em Paris


Há tempos queria falar para vocês desse restaurante histórico, situado no coração do quartier latin em Paris. Fundado por um italiano em 1686, o restaurante serve dentre outros pratos, a "Tête de veau" que pretende ser como a que era feita em 1686!!! Mas apesar de ser um prato que enche os olhos (sempre vejo alguém pedindo), eu não peço de jeito nenhum, e gosto de ir principalmente para degustar um dos meus pratos preferidos da culinária francesa, o "Coq au vin". Nunca fiz em casa (um dia desses me aventuro, juro!), mas é um prato com gostinho de comidinha caseira e de mãe... Um prato que fica horas e horas cozinhando lentamente, e o coq (galo) fica bem temperadinho no vinho e macio que é uma beleza!

Tête de veau, mas o coq au vin é servido da mesma maneira... 
Minhas fotos sendo de péssima qualidade, "roubei do site"!

Inicialmente era um café (o café sendo introduzido na corte francesa uns 25 anos antes), um dos primeiros lugares em que se servia sorvetes. Ainda hoje, os sorvetes são feitos em casa, imperdível!!!

Então, a cozinha é tradicional francesa, o que pode causar um certo estranhamento a algumas pessoas que esperam uma cozinha bem "chique". O ambiente é chique, a cozinha tradicional, com pratos caseiros e não exatamente sofisticados, sobremesas de influencias italianas (representando a origem do restaurante) e preços corretos.
Foto da Goretti, com quem tive o prazer de almoçar durante sua estadia em Paris em fevereiro.

Diversos ambientes constituem o restaurante, todos muito bonitos, com objetos de decoração dos séculos XVII e XVIII. Diversas personalidades do mundo das letras e das artes frequentaram o restaurante, como Voltaire, Diderot, Rousseau, Danton, Robespierre, Molière, Benjamin Franklin.

 Fotos do site

A lenda conta que Le Procope testemunhou diversos episódios da história: Diderot teria escrito ali mesmo artigos para a sua enciclopédia; B. Franklin teria preparado o projeto de aliança de Luís XVI com a nova República e que teria escrito elementos da constituição americana.

Opinião pessoal:
Durante a semana, no almoço, o restaurante é muito frequentado por homens (e mulheres, mas bem menos!) de negócios. A noite, muitos casais e grupos... Já reparei que a média de idade dos frequentadores é acima da minha... Ou seja, não é um ambiente jovem. Acho que os "jovens" preferem ambientes mais modernos, mas é apenas impressão minha, já que sempre que vou em lugares um pouco mais "finos" me deparo com poucas pessoas da minha idade e ainda menos mais jovens!

Também acho que o serviço deixa a desejar um pouco... Um restaurante que "pretende" ser sofisticado não pode deixar passar alguns deslizes, como: toda vez que peço o meu prato preferido, que vem em uma "cocotte" (servido na panela), o garçon serve os pratos... e sempre deixa cair molho sobre a toalha! Além disso, já reparei que quando a gente quer pagar para ir embora, os garçons desaparecem... Então o cartão de crédito fica ali um tempão sobre a mesa até que alguém decida vir receber. Cansado de esperar, da última vez Sylvain decidiu ir ao banheiro. E não é que o garçon veio exatamente quando Sylvain não estava lá? Eu não me importo, mas pela etiqueta eles não deveriam vir cobrar quando o homem não está (sei que é antigo, mas ainda funciona assim). Mas o funcionário veio, pegou o cartão depois devolveu, me perguntou se era para esperar o "monsieur", eu respondi que não tinha importância e paguei. Para nós não faz diferença, mas quando é uma pessoa que convida, meio chato virem cobrar quando uma das pessoas ausentou-se da mesa! O certo seria eles virem quando todos estão presentes à mesa.

Vista do restaurante em 1900 por Eugène Atget (google)

Endereço:
13 rue de l'Ancienne Comédie
http://www.procope.com/

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Como aliviar o estresse ?

Um post recente sobre o trabalho na França causou um certo alvoroço por aqui, devido às opiniões contraditórias e formas diferentes de olhar e enfrentar o mundo do trabalho! 

Como vou lendo de todos os lados e depois não lembro mais onde vi, ouvi ou li, queria deixar registrado os dados de 2010 do Instituto de Médecine Enrironnementale trazidos na revista Santé desse mês. De acordo com esse instituto, 61% dos franceses, estressados pelo trabalho, adoecem. E desde 2009, a França é o segundo país que mais consome tranquilizantes por habitantes (só perde para a Espanha). E só no ano passado foram vendidos 84 milhões de caixas de tranquilizantes por aqui.

Por aqui, quem fala em estresse no trabalho lembra de cara a onda de suicídios que assolaram o Centro de Pesquisas Renault nos últimos anos, e não eram de funcionários de "baixo escalão" não, mas de engenheiros qualificados e com bons cargos. Além desta conhecida empresa, a France Telecom também foi tocada por  sequências de suicídios. Nos dois casos, testemunhas, colegas e famílias relatam o extremo extresse em que viviam essas messoas nos últimos meses, a desvalorização, a sobrecarga de trabalho que os "obrigava" a trabalhar à noite, finais de semana e feriados... 

Bem, não estou a esse ponto, mas felizmente estou aliviada após quase uma semana de estresse no tarbalho. Minha chefe de folga até ontem, eu tinha a impressão de que o trabalho não andava entre minha colega e eu. Ela não tomava nenhuma iniciativa para começar as atividades que possuem prazos definidos (e curtos), mas ficava inventando e dando idéias que não cabem no contexto e querendo fazer do seu jeito. 

Quarta-feira cheguei (depois dela, pois também termino após ela) e a mesma tinha feito tudo ao contrário do que eu tinha explicado. Perguntei se ela não tinha entendido as ordens deixadas pelos superiores e/ou a minha explicação/definição de tarefas, no início ela disse que não tinha entendido... Depois ela mudou de discurso e disse que achava melhor do jeito dela. 

Eu disse que não era o momento para fazer "do jeito dela" sem consultar os superiores, pois se trata de um período crucial, com muita sobrecarga de trabalho (até o final do ano), e temos regras e procedimentos explícitos a seguir. No final ela corrigiu algumas coisas e em outras bateu pé que o jeito dela era melhor...
Resultado: ontem era SEU dia de folga e minha chefe ME pediu para refazer tudo, pois não estava nas normas! Tive que fazer o meu trabalho e o da colega! 

Felizmente a chefe elogiou a qualidade do meu trabalho (é a quarta vez em 2 meses que me propõe uma promoção mas eu prefiro não aceitar, pois sei bem que essa promoção me porporcionará mais responsabilidades, mais status, mas ao mesmo tempo muito mais estresse e o aumento de salário para mim não chega a compensar).

Pior é que nesses momentos de turbulências no trabalho não consigo dormir, fico superagitada, trabalho feito uma louca, leio feito uma louca, navego na internet feito uma louca, como se estivesse ligada o tempo todo no 220 volts. Como conseqüência não durmo o suficiente, acordo já com dor de cabeça...

Mas adepta dos meios naturais e alternativos, nunca tomei um medicamente para isso na vida. Aqui seguem algumas dicas que me ajudam a me acalmar, quem sabe um dia desses alguém mais pode precisar?

- um banho relaxante aos óleos essenciais de lavande, ou a verveine (verbena, seria o quê em português? o cheirinho é cítrico). Funciona que é uma beleza! Tem até mesmo um banho espumante de verveine que aconselho às crianças (com mais de 3 anos), elas ficam calminhas, calminhas...

- um cházinho antes de dormir, que não seja chá preto ou quarquer outro estimulante. Ainda tenho erva-doce que trouxe do Brasil, mas gosto muito da verveine. As folhas secas de verveine são assim:

- Se está friozinho, esquento a minha "bouillotte" (bolsa de água quente) e coloco contra a barriga... Que sensação boa! (ótima também para as cólicas menstruais).
Ainda mais eficaz se for "fofinha" como a minha!

- Apago a luz e fico alguns minutos à luz de uma vela perfumada relaxante, como de lavanda.

- Prefiro o silêncio; nesses momentos, até música estilo "relaxante" me irrita.

- Um outro produto que me ajuda muito a dormir é uma bruma perfumada para o travesseiro a base de lavanda, gerânio e árvore do chá. 

- Uma massagem leve com produtos relaxantes (mas faço o meu massoterapeuta pessoal assinar um termo dizendo que posso dormir logo após a massagem!)

Aposto que com tudo isso a gente consegue passar longe 
dos medicamentos!!! 
Claro que nada disso trata apenas os sintomas, não trata as causas. 
Para tratar as causas o tratamento é outro !

E qual é a sua dica para aliviar o estresse? Se é que isso existe na sua vida?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O que comer em Copenhague?

Quem acompanha um pouco o blog ou me conhece um pouquinho sabe que tenho um probleminha com a comida... Além de adorar comer, adoro provar pratos novos... Podem me pedir para testar quase tudo, só não experimento pratos com miúdos!

Confesso que quando cheguei na França e comecei a passear, pensava em levar um sanduíche para o almoço, mas chegando aos lugares, com tanta variedade, o dito cujo acabava ficando esquecido no fundo da mochila. Então, após umas 3 ou 4 tentativas, desisti de levar sanduíche para passear por aí!!! (com exceção de quando fazemos um pique-nique, nesse caso é superagradável preparar o cardápio e escolher um lugar legal para comer ao ar livre).

Não tenho (mais) vergonha de dizer que o turismo gastronômico faz parte dos meus passeios! Antes de viajar procuro saber o que se come no local, se existe uma especialidade, e tento provar, claro! Em Copenhague não foi diferente. Conhecer os hábitos alimentares dos moradores é um pouco conhecer a cultura, não acham?

Pelo que li os dinamarqueses dessa região costumam almoçar um prato frio, geralmente composto de pão (brød) acompanhado de  peixe defumado ou marinado, presuntos (secos ou não) ou patês e saladas e legumes. Sem esquecer os diferentes tipos de molhos e cremes! Adorei os pães que comi, marrons, pesados e cheios de grãos. Duas fatias e você não sente mais fome o dia inteiro!!!

Eu quis provar esse prato que eles fazem (provavelmente para turistas, já que eles não devem comer os 10 tipos em uma mesma refeição!) com 10 tipos de harengs, ou seja, com 10 temperos diferentes. Gostei de 8, os que não aprovei foram o primeiro da segunda linha (senti um gosto muito forte de cravo!!!) e o segundo da terceira linha, cujo tempero não consegui identificar.
Escolhemos esse restaurante em Nyhavn. Vários pareciam simpáticos, mas nesse encontramos pratos que agradariam Sylvain e eu. Comemos no interior, que surpreendentemente é muito aconchegante, com uma decoração difícil de imaginar do lado de fora. A nossa mesa ficava sob um teto transparente que unia dois antigos prédios (tudo transformado em um só), com uma linda luminosidade natural e plantas... como em um jardim de inverno. 

No sábado a noite eu via pela carinha do Sylvain que ele não queria mais comer pratos a base de peixe nem pratos frios (que ele não gosta normalmente). Mas como Copenhague é uma cidade cosmopolita, encontramos representações da cozinha do mundo inteiro. Por acaso passados em frente a um restaurante de carnes. Ele viu os pratos e estava com água na boca, então decidimos entrar e não nos arrependemos. Estava lotado, mas esperamos um pouco e nos prometeram nos encontrar uma mesa. O ambiente era bem descontraído, vários grupos de amigos e famílias, pessoas rindo e falando não tão baixo... E ao menos na parte do restaurante em que estávamos, todo mundo falava dinamarquês, o que me fez pensar que não é um restaurante exatamente turístico, mas sim frequentado pelos locais.

O prato dele foi uma peça de carne de 500 gramas, bem grelhado por fora, e mal passado por dentro (como ele gosta). Escolhi um menorzinho, de 200 gramas com batatas recheadas ao forno... Enfim comi uma carne com gosto de verdade!!! Olha que sou difícil exigente para carne!!!

Reparamos que os bares e restaurantes que propõem mesas do lado de fora disponibilizam umas mantinhas para os clientes! Vimos na cidade inteira os clientes comendo enrolados nos cobertores! Até queríamos experimentar a moda, mas com o friozinho e a umidade, preferimos um ambiente aquecido:



 Algumas vitrines de padarias. No nosso hotel esses tipos de pães doces eram servidos. Gostei, mas não exageradamente, pois senti em quase todos eles um gostinho de canela... 
E como não sou fã nem de cravo nem de canela...

No último dia tínhamos muita coisa para fazer e pouco tempo, preferimos não parar para almoçar e apenas comer alguma coisa rápida. Em todas as esquinas existem umas barraquinhas de cachorro-quente e não resistimos!
 Parace que o tradicional é o Ristet Hot Dog, que foi o que eu provei, com pepino e cebola!


Endereços:

Hereford Steaks:
Stor Kongensgade 38

Hot Dog: em pratiamente todas as esquinas da cidade! Se tiver fila e dinamarqueses, interpreto que deve ser um dos melhorzinhos!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Primeiras impressões de Copenhague

Ao contrário de outros lugares que sempre sonhei conhecer (como Praga ou Roma, por exemplo), nunca tinha pensado seriamente em Copenhague e por isso a cidade não estava na minha lista de prioridades. Mas assim que soube que teria um final de semana estendido e que coincidia com o período em que Sylvain poderia tirar uns dias de férias (ele só pode tirar férias durante as férias escolares), começou a correria pela busca de um destino e de passagens pela internet. Acho que testamos umas 50 opções e acabamos nos deparando com Copenhague, pois era um dos melhores preços na data, levando em contaos horários dos vôos (ou seja, queríamos partir pela manhã, mas não extremamente cedo para não ter que dormir no aeroporto, e voltar no último dia a noite, para aproveitar ao máximo todos os dias).

Nyhavn, um dos cartões postais de Copenhague com seus prédios coloridos, o canal mais charmoso da cidade, e superanimado durante o dia ou à noite, com seus bares e restaurantes.

Com o destino escolhido, o jeito foi pesquisas às pressas o que tem para fazer e ver na cidade! E não é pouca coisa! Em três dias tivemos que selecionar bem os nossos interesses.

E as primeiras impressões:

Achamos a cidade muito silenciosa e calma. Muitas bicicletas nas ruas, e os carros parecem ser bem silenciosos, praticamente não fazem barulho! Nada de trânsito estressante. E isso em plena sexta-feira, quando chegamos!
Uma atmosfera  de nostalgia, de conto de fadas, castelos cobertos pela bruma... 


Vimos os dinamarqueses muito sorridentes e simpáticos, prontos para dar uma informação ou explicar alguma coisa. Sem querer em dois momentos estavamos no estabelecimento comercial quando percebemos que o mesmo tinha fechado às portas... pedimos desculpas e nos apressamos, mas em nenhum momento nos colocaram porta a fora ou nos colocaram a pressão para partir.

Muitos jovens, e muito bebê!!! Em todos os cantos pais passeando com bebês em seus respectivos carrinhos! Se alguém acha que não existem bebês na Europa, então é porque nunca estiveram na França nem na Dinamarca!!! hahahah
Muitas bicicletas com esse compartimento (foto à direita) para transportar as crianças! 
Vimos algumas delas transportando até mesmo 4 crianças!!!

Muito cachorro também, mas europeu adora animais de companhia, isso eu já sabia!


Eu diria que a principal personalidade da cidade é Hans Christian Andersen, afinal ele (ou melhor, seus contos) são conhecidos no mundo inteiro. Em todos os cantos de Copenhague vemos uma referência a ele, sem falar da Pequena Sereia, que seria para os dinamarqueses a imagem do país... Pequenininha e despretenciosa, ainda assim foi um dos pontos altos da viagem.

Emocionada com a beleza do lugar, com a igreja Saint-Alban ao fundo, do final do século XIX.