quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O que comer em Copenhague?

Quem acompanha um pouco o blog ou me conhece um pouquinho sabe que tenho um probleminha com a comida... Além de adorar comer, adoro provar pratos novos... Podem me pedir para testar quase tudo, só não experimento pratos com miúdos!

Confesso que quando cheguei na França e comecei a passear, pensava em levar um sanduíche para o almoço, mas chegando aos lugares, com tanta variedade, o dito cujo acabava ficando esquecido no fundo da mochila. Então, após umas 3 ou 4 tentativas, desisti de levar sanduíche para passear por aí!!! (com exceção de quando fazemos um pique-nique, nesse caso é superagradável preparar o cardápio e escolher um lugar legal para comer ao ar livre).

Não tenho (mais) vergonha de dizer que o turismo gastronômico faz parte dos meus passeios! Antes de viajar procuro saber o que se come no local, se existe uma especialidade, e tento provar, claro! Em Copenhague não foi diferente. Conhecer os hábitos alimentares dos moradores é um pouco conhecer a cultura, não acham?

Pelo que li os dinamarqueses dessa região costumam almoçar um prato frio, geralmente composto de pão (brød) acompanhado de  peixe defumado ou marinado, presuntos (secos ou não) ou patês e saladas e legumes. Sem esquecer os diferentes tipos de molhos e cremes! Adorei os pães que comi, marrons, pesados e cheios de grãos. Duas fatias e você não sente mais fome o dia inteiro!!!

Eu quis provar esse prato que eles fazem (provavelmente para turistas, já que eles não devem comer os 10 tipos em uma mesma refeição!) com 10 tipos de harengs, ou seja, com 10 temperos diferentes. Gostei de 8, os que não aprovei foram o primeiro da segunda linha (senti um gosto muito forte de cravo!!!) e o segundo da terceira linha, cujo tempero não consegui identificar.
Escolhemos esse restaurante em Nyhavn. Vários pareciam simpáticos, mas nesse encontramos pratos que agradariam Sylvain e eu. Comemos no interior, que surpreendentemente é muito aconchegante, com uma decoração difícil de imaginar do lado de fora. A nossa mesa ficava sob um teto transparente que unia dois antigos prédios (tudo transformado em um só), com uma linda luminosidade natural e plantas... como em um jardim de inverno. 

No sábado a noite eu via pela carinha do Sylvain que ele não queria mais comer pratos a base de peixe nem pratos frios (que ele não gosta normalmente). Mas como Copenhague é uma cidade cosmopolita, encontramos representações da cozinha do mundo inteiro. Por acaso passados em frente a um restaurante de carnes. Ele viu os pratos e estava com água na boca, então decidimos entrar e não nos arrependemos. Estava lotado, mas esperamos um pouco e nos prometeram nos encontrar uma mesa. O ambiente era bem descontraído, vários grupos de amigos e famílias, pessoas rindo e falando não tão baixo... E ao menos na parte do restaurante em que estávamos, todo mundo falava dinamarquês, o que me fez pensar que não é um restaurante exatamente turístico, mas sim frequentado pelos locais.

O prato dele foi uma peça de carne de 500 gramas, bem grelhado por fora, e mal passado por dentro (como ele gosta). Escolhi um menorzinho, de 200 gramas com batatas recheadas ao forno... Enfim comi uma carne com gosto de verdade!!! Olha que sou difícil exigente para carne!!!

Reparamos que os bares e restaurantes que propõem mesas do lado de fora disponibilizam umas mantinhas para os clientes! Vimos na cidade inteira os clientes comendo enrolados nos cobertores! Até queríamos experimentar a moda, mas com o friozinho e a umidade, preferimos um ambiente aquecido:



 Algumas vitrines de padarias. No nosso hotel esses tipos de pães doces eram servidos. Gostei, mas não exageradamente, pois senti em quase todos eles um gostinho de canela... 
E como não sou fã nem de cravo nem de canela...

No último dia tínhamos muita coisa para fazer e pouco tempo, preferimos não parar para almoçar e apenas comer alguma coisa rápida. Em todas as esquinas existem umas barraquinhas de cachorro-quente e não resistimos!
 Parace que o tradicional é o Ristet Hot Dog, que foi o que eu provei, com pepino e cebola!


Endereços:

Hereford Steaks:
Stor Kongensgade 38

Hot Dog: em pratiamente todas as esquinas da cidade! Se tiver fila e dinamarqueses, interpreto que deve ser um dos melhorzinhos!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Primeiras impressões de Copenhague

Ao contrário de outros lugares que sempre sonhei conhecer (como Praga ou Roma, por exemplo), nunca tinha pensado seriamente em Copenhague e por isso a cidade não estava na minha lista de prioridades. Mas assim que soube que teria um final de semana estendido e que coincidia com o período em que Sylvain poderia tirar uns dias de férias (ele só pode tirar férias durante as férias escolares), começou a correria pela busca de um destino e de passagens pela internet. Acho que testamos umas 50 opções e acabamos nos deparando com Copenhague, pois era um dos melhores preços na data, levando em contaos horários dos vôos (ou seja, queríamos partir pela manhã, mas não extremamente cedo para não ter que dormir no aeroporto, e voltar no último dia a noite, para aproveitar ao máximo todos os dias).

Nyhavn, um dos cartões postais de Copenhague com seus prédios coloridos, o canal mais charmoso da cidade, e superanimado durante o dia ou à noite, com seus bares e restaurantes.

Com o destino escolhido, o jeito foi pesquisas às pressas o que tem para fazer e ver na cidade! E não é pouca coisa! Em três dias tivemos que selecionar bem os nossos interesses.

E as primeiras impressões:

Achamos a cidade muito silenciosa e calma. Muitas bicicletas nas ruas, e os carros parecem ser bem silenciosos, praticamente não fazem barulho! Nada de trânsito estressante. E isso em plena sexta-feira, quando chegamos!
Uma atmosfera  de nostalgia, de conto de fadas, castelos cobertos pela bruma... 


Vimos os dinamarqueses muito sorridentes e simpáticos, prontos para dar uma informação ou explicar alguma coisa. Sem querer em dois momentos estavamos no estabelecimento comercial quando percebemos que o mesmo tinha fechado às portas... pedimos desculpas e nos apressamos, mas em nenhum momento nos colocaram porta a fora ou nos colocaram a pressão para partir.

Muitos jovens, e muito bebê!!! Em todos os cantos pais passeando com bebês em seus respectivos carrinhos! Se alguém acha que não existem bebês na Europa, então é porque nunca estiveram na França nem na Dinamarca!!! hahahah
Muitas bicicletas com esse compartimento (foto à direita) para transportar as crianças! 
Vimos algumas delas transportando até mesmo 4 crianças!!!

Muito cachorro também, mas europeu adora animais de companhia, isso eu já sabia!


Eu diria que a principal personalidade da cidade é Hans Christian Andersen, afinal ele (ou melhor, seus contos) são conhecidos no mundo inteiro. Em todos os cantos de Copenhague vemos uma referência a ele, sem falar da Pequena Sereia, que seria para os dinamarqueses a imagem do país... Pequenininha e despretenciosa, ainda assim foi um dos pontos altos da viagem.

Emocionada com a beleza do lugar, com a igreja Saint-Alban ao fundo, do final do século XIX.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Quem conhece Patrícia Melo ?

Estava devendo para vocês a escritora brasileira cujos livros encontrei aqui em Paris. Confesso que nunca antes no Brasil tinha ouvido falar dela, mas é verdade que durante meus estudos universitários e pós que duraram de 1998 a 2008 fiquei meio afastada do universo da literatura (lia mesmo eram os best-sellers que todo mundo lia, não tinha tempo para procurar nada de diferente).
E então me deparo com toda uma coleção dessa escritora brasileira em uma biblioteca de Paris. Escolhi o livro "Valsa Negra" (traduzido para o francês como "Le diabo danse avec moi").
Como nunca a li em português, não posso falar do original, mas adorei a tradução, com frases profundas. A história fala de um maestro que vive um ciúme doentio em relação à sua nova esposa e vai revelando as suas obsessões e paranóias, nos levando para dentro da loucura do personagem. Não preciso dizer que esse tipo de leitura psicológica me envolve!!! O livro é contado a partir do ponto de vista do personagem, então a gente "vive" com ele a construção de seus delírios. 
Unico "porém", na reta final do livro esse tipo de discurso começou a me cansar (talvez para quem não tenha um conhecimento em psicologia ou interesse canse bem mais cedo!), pois eu via que as coisas só iam piorando e que não chegaria a lugar nenhum...


O outro livro que li logo após esse foi de uma das escritoras que está na moda aqui na França, Amélie Nothomb. escolhi o mais fininho da prateleira pois com tantos documentos que peguei emprestado, queria estar certa de entregar tudo em 4 semanas. Sabe que o livro me decepcionou um pouco? Li "Cosmétique de l'ennemi" e achei um estilo de escritura bem simples (esperava mais), e história fraquinha. Trata-se de um personagem que fica bloqueado no aeroporto devido a um atraso de avião. lá, ele é abordado por um estranho personagem... Toda a história se passa nesse saguão de aeroporto e refletida no diálogo entre os dois personagens...

Logo volto com mais leituras, mas no momento estou lendo apenas uma história em quadrinhos francesa (quem advinha?) que queria ler há tempos, e guias de viagem para meu final de semana que começa amanhã de manhã!!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Atelier de Paul Cézanne, em Aix-en-Provence

Recentemente visitei a cidade de Aix-en-Provence, não muito longe de Avignon, nesta maravilhosa região da Provence francesa.

Foi nesta cidade que nasceu o pintor Paul Cézanne em 1839. Existe todo um percurso para descobrir os locais por onde passou o artista, que incluem a casa em que nasceu, a chapellerie de seu pai, o Café des deux Garçons (onde ele poderia passar horas dialogando com seus amigos)... São dezenas de locais por onde passar ou visitar, seguindo os passos desse personagem que deve ser um dos mais ilustres da cidade.

Mas é no atelier de Paul Cézanne de Aix, onde ele trabalhou de 1902 a 1906 que podemos sentir a "alma do artista". Inclusive está escrito no local algo mais ou menos assim "aqui não é um museu, não espere encontrar nada além de Cézanne ele mesmo". Achei bem forte, e é nesse ambiente que viajamos um século no tempo e podemos contemplar objetos que estavam lá na época, e mesmo os casacos e o "guarda-pó" do pintor, tal como estava na ocasião de sua morte.

Por essas janelas ele contemplava a paisagem e pintou alguns de suas mais belas imagens da Montanha Sainta Vitória, que são uma das marcas registradas do artista, assim como as Nymphéas eram para Monet. Ele realizou 44 telas e 43 aquarelas com esse tema!

Atualmente a vista é completamente tomada pela vegetação, e mesmo que não existisse toda a vegetação, a paisagem não é mais a mesma, quase rural da época:


Ele saia de casa, no centro de Aix, todos os dias cedo pela manhã em direção ao seu atelier. Foi ali, nesse ambiente de "silêncio e luminosidade" que ele pintou importantes obras que estão hoje espalhadas pelos maiores museus do mundo.
Após a sua morte, o local esteve fechado durante 15 anos, até ser adquirido por um mecenas da região chamado Marcel Provence. Mais tarde, com a ajuda de doadores americanos, o local foi comprado e doado à Universidade, para em 1969 ser cedido à cidade. 

Escolhemos visitar o atelier no domingo pela manhã, desde a sua abertura às 10h, e desta forma estivemos um bom momento praticamente sozinhos com Cézanne... Um pouco mais tarde já chegou um grupo enorme de turistas japoneses, o que fez perder um pouco a magia... Então aconselho chegar cedo, antes dos grupos de turistas!

Curiosidades: Cézanne foi muito amigo do escritor Emile Zola (nascido em Paris, mas veio morar em Aix aos 3 anos) e estudaram juntos. Mas Zola tem cada vez mais dificuldades em apreciar a obra do amigo! A gota d'água foi em 1886: o romimento foi inevitável devido à uma publicação de Zola na qual Cézanne se reconhece como personagem. Trata-se do romance "L'Oeuvre", que fala que um artista "fracassado", cujo melhor amigo é um escritor! Eles nunca mais se falaram.

sábado, 22 de outubro de 2011

Teatro e Tietagem

Não sei exatamente quantos teatros existem em Paris, com tantas salas de todos os tamanhos possíveis e espalhados em todos os cantos da cidade, mas são mais de 100, representando mais de 300 espetáculos por semana... Ou seja, deve ter uma peça que interesse a cada um de vocês!
Mas para quem gosta de teatro como eu e Sylvain, fica difícil escolher e acabamos indo pelas oportunidades mesmo que se apresentam.
Desta vez eu o convidei para assistir uma peça, ele nem sabia do que se tratava, mas era com uma atriz francesa da qual ele já tinha me falado, Corinne Touzet, que durante muitos anos fez uma série de tv no papel de policial.
A peça se chama Soif, e fala de dois grandes amigos (um homem e uma mulher) que se encontram após 5 anos sem se ver. A peça fala da amizade entre homem e mulher, as profundezas e os limites da mesma. Momentos de muito humor e alguns de muita reflexão. Soif em francês quer dizer "sede", e a peça fala exatamente disso: a sede de amor, de viver, tudo passando pelo vinho, pois os dialógos se passam em torno do vinho!
Após a peça a atriz recebeu os espectadores para uma sessão de autógrafo aberta a perguntas. Muito querida e simpática, pena que exatamente na nossa frente na fila havia um homem muito estranho que a filmava, e assim que ela o viu ela ficou pálida e perdeu o sorriso. Não era a primeira vez que ele fazia isso, aparentemente é uma figura conhecida. Na vez dele o mesmo nem quis autógrafo, apenas falar da atuação dela na peça. Ela ainda brincou comigo que ele aparentemente era um fã muito exigente, pois se dava ao trabalho de assistir diversas representações seguidas e depois vir comentar em detalhes a atuação dela!!! E ele confirmou que fazia isso mesmo! já tinha assistido diversas representações dessa mesma peça para comparar o trabalho dela de uma noite a outra!!! Um homem extremamente desagradável que não me passou nada de bom! Então, depois desse momento a atriz não parecia estar muito à vontade, uma pena. Tem louco pra tudo, não é?

 Ela um pouco cansada após a atuação e logo após ser importunada por um fa "sem noção"
(além de ser no mínimo uns 15 cm mais alta que eu e pesar uns 10 quilos a menos!!!)
Corinne Touzet no papel de Isabelle Florent, na série"Une femme d'honneur" (google imagens).

Após, ainda fomos convidados para uma degustação de vinho em um bar/restaurante em frente ao teatro. Um delicioso Côtes de Blaye tinto (um de meus preferidos), do qual eles falavam no espetáculo.

E já que um dos temas do post é "tietagem", olha eu aqui com o Jack MacCoy (Sam Waterston) do "Law & Order"
Após essa foto aprendi que mesmo se sair de casa para dar uma passadinha rápida na Adidas no domingo para comprar um par de meias para a acadêmia, melhor  me olhar no espelho antes de sair, a gente nunca sabe quem vai encontrar!!!
(a foto da equipe da série é da internet)

Informações práticas da peça:
Soif, com Corinne Touzet e Fred Nony, direção Marion Sarrauf
Théâtre du Petit Saint-Martin
De terças à sabados às 19h, até 26 de novembro.