segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Patrimônio religioso de Avignon

A época em que Avignon foi uma cidade papal permitiu o desenvolvimento da cidade do ponto de vista cultural e religioso. Conventos, igrejas e capelas foram construídas em todos os cantos da cidade. Testemunho de uma história de poder e de fé, de avanços arquiteturais e artísticos.
Ruinas do antigo cloîte Saint-Martial
Convento des Cordeliers

Igreja st-Agricol: visitando a igreja uma freira veio falar comigo e me contou a história de Santo Agricol e da igreja. São Agricol foi eveque de Avigon entre os anos 660 e 700. A construção de uma igreja nesse local se deve a essa época, mas ela foi reformada e aumentada ao longo dos séculos. Ele é o patrono da cidade, abençoando a agricultura, a colheita, as vinhas e os produtos da região.


Catedral Notre-Dame-des-Doms 

Convento des Célestins
Igreja São Pedro


domingo, 25 de setembro de 2011

Excalibur e os eventos do Stade de France

Ontem fomos assistir ao grande espetáxulo "Excalibur, la légende du roi Arthur et des Chevaliers de la table Ronde" (A lenda do rei Artur e os cavaleiros da távola redonda), representado de forma grandiosa no Stade de France, na região parisiense.
As fotos foram retiradas do google imagens
Excalibur
O espetáculo foi realmente muito bonito! Foram necessários 18 meses de criação para apenas uma representação! Luzes e som de primeira, figurantes e dublês em cenas de combate de tirar o fôlego, tudo isso em 9 mim metros2 de "palco"... Musica e danças celtas, fogos e magia. Toda uma seqüência com cavalos em que os cavaleiros faziam absurdos sobre os cavalos!!! Em pé sobre o cavalo, com a cabela para baixo e as pernas para cima fazendo "tesoura", descendo e subindo do cavalo (usando a esquerda e a direita) com o mesmo em boa velocidade, combates de lança sobre os cavalos, dentre outras cenas.

Além disso toda uma cena com pombas brancas... e uma outra muito bonita com um falcão de verdade.  E personagens que todo mundo conhece: Rei Arthur, Lancelot, Merlin, Morgana, Guenievre, Mordred.

Apresentação dos artistas no final do espetáculo (fotos da autora)
Stade de France:
Não é a primeira vez que assito alguma coisa lá e gostaria de relatar brevemente como funciona... Primeiramente, o estádio fica perto de Paris, de fácil acesso pelos transportes públicos. Porém fica em uma cidade e departamento considerada por muitas pessoas relativamente violenta. Mas em todas essas ocasiões achei tudo tão organizado e calmo que famílias, idosos e crianças (aompanhadas de responsáveis, claro) podem frequentar sem nenhum receio. Sempre fui com o RER B, descendo na estação La Plaine Stade de France (existe a opção de ir pelo RER D e de metrô linha 13). Ao sair da estação, basta seguir em linha reta uma grande rua de um bairro de negócios com grandes prédios de vidro de grandes empresas. Então nada da imagem de periferia pobre ou favela que muita gente imagina dessa região. Além disso, como pode-se espetar 50 mil pessoas nesses eventos, existe muito policiamente para controlar o fluxo (pedestres e motoristas). Existem portas de entrada ao redor de todo o estádio, indo de A a Z, vai depender do que está escrito no seu ingresso. Praticamente não tem fila, mas temos que mostrar as bolsas e ser revistados (seguranças em civil). Teoricamente eles fazem muita atenção às garrafas de plástico e retiram a tampa, o que sempre me estressa, pois tenho que ficar todo o tempo ali com a minha água aberta e sou obrigada a beber tudo ou então depois jogar fora para não ter que voltar com uma garrafa aberta!
Pelo que percebi todos os lugares são marcados e sentados, relativamente confortável. As bancadas são altas, então não somos atrapalhados pela cabeça do gigante sentado à nossa frente! Outra vantagem é que o estádio é todo coberto, com um furo no meio... Então mesmo que chova, a platéia está protegida.

Fotos retiradas do google imagens
Para ter uma idéia do estádio em dia de jogo
Quando o evento termina, a multidão se dirige aos transportes públicos, e mais uma vez a polícia regula o fluxo, evitando tumultos nos transportes. Eles deixam passar apenas uma certa quantidade de pessoas de cada vez, os demais esperam o próximo trem.
Enfim, tudo muito civilizado!!!
Mas claro que não estou falando de um jogo de futebol, ainda mais quando se trata de equipes rivais... Já peguei a linha 13 em dia de jogo entre a equipe de Marseille e Paris St Germain, e os reguladores de fluxo organizavam um metrô para os torcedores de uma equipe, e outro para outra equipe... E quem como eu estava ali por acaso e néao tinha nada a ver com a história, pegavámos qualquer um dos metrôs, no meio daqueles torcedores superempolgados... melhor tentar passar desapercebido!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Aznavour e o Olympia

Essa semana enfim chegou o dia do meu encontro com "Aznavour en toute intimité"* no Olympia!

O primeiro grande momento foi entrar pela primeira vez no Olympia. Quem conhece um pouco da história de Paris ou ao menos assistiu o filme sobre Edith Piaf (com Marion Cotillard) sabe que o Olympia é o mais antigo music-hall de Paris ainda em atividade. Inaugurado em 1893, acolheu espetáculos estilo cancan, depois foi um cinema, até que em 1953 Bruno Coquatrix compra essa sala legendária e a transforma em music-hall. Reformado em 1997, a fachada continua a mesma, mas o interior foi reconstruído de forma idêntica, apenas alguns metros longe da rua. Parece que o que realmente mudou foram os bastidores, mas esses néao tive oportunidade de visitar!


A sala é pequena (o que faz com que os eventos ali sejam relativamente caros), mas pelo que pude perceber todos os lugares são bons, com excelente vista de toda a cena e a acústica é ótima.

Aznavour entrou em cena cantando duas músicas de seu novo disco, depois conversou com o público, explicando rapidamente como iria se desenrolar o show, com algumas novas canções de hoje que serão antigas futuramente, canções de ontem, anteontem e ante-ante-ante-ontem...
Então ele recomeça com "Paris au mois d'août", uma verdadeira emoção para mim, que não consegui controlar as lágrimas.
Durante algumas pausas breves entre uma música e outra ele explica que sua memória não é mais a mesma e que provavelmente ele deverá recorrer ao prompteur em alguns momentos. Confesso que deve ter sido de forma bem discreta, pois não percebemos! Consciente de sua idade (ele não tem mais 20 anos!), ele não tem vergonha de dizer que vai adaptar o show às necessidades da idade avançada: sentar se necessário, ausentar-se alguns segundos para se hidratar, etc.
Ele cantou uma canção mais linda do que a outra, dentre elas "Hier encore, Je voyage (em duo com a sua filha Katia), La Mamma, Les comédiens, La Bohème, Que c'est triste Venise, Sur ma vie, Comme ils disent, Emmenez-moi, Mes emmerdes, Qu'avons-nous fait de nos 20 ans?", dentre outras.
Duas horas de muita emoção, nostalgia e simplicidade, Charles Aznavour em plena forma e com uma voz que continua impressionante. Acompanhado e uma orquestra extrememente competente, eu não poderia ter sonhado com nada melhor!

E você, qual cantor ou grupo você sonha em ver ao vivo?

* nome do espetáculo

Informações práticas:
Aznavour pode ainda ser visto no Olympia até 6 de outubro de 2011, em seguida ele faz uma tournée pela França, que se termina no início de dezembro em Lille. Então quem é fã não pode perder, já que ele deve se aposentar após!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Avignon: Cidade dos Papas

Vocês já devem ter percebido que adoro passear pela França e conhecer novos lugares, mas há tempos queria conhecer o sul e nunca dava... sabe como é, a gente tem uma vida aqui e não dá para sair viajando como gostaria...

Avignon fica a cerca de 3 horas de trem de Paris (580 km), e no caminho já vamos percebendo que a paisagem vai mudando... Para mim parecia muito com as paisagens que conheci da Italia, com uma luminosidade incrível, céu azul, tempo ensolarado e casinhas de pedra ou de cores claras, com telhas rosadas...

Conhecida como cidade dos papas e do teatro. O rio que banha a cidade é o Rhône (é dessa região o famoso vinho Côtes du Rhône). Impossível ficar alheio a essa cidade rodeada por uma muralha do século XIV onde o Palácio dos Papas é o personagem principal.


O Palais des Papes e sua esplanada
Construído no século XIV, possui 15 mim m2 e é dividido em 2 prédios bem distintos: o palácio velho e o novo. A parte "velha" é uma fortaleza de arquitetura bem austera, mas a parte "nova", apesar do aspecto exterior não mudar muito, era ricamente decorada interiormente e bem confortável para a época. Infelizmente  os poucos afrescos que restam não estão em bom estado e devem ser dificílimos de restaurar. Mas podemos ter uma idéia de como era na época a partir do que resta no antigo quarto do Papa e o quarto do Cervo (chamado dessa forma devido às pinturas de cenas de caça nas paredes).


Apesar das controvérsias, a Ponte de Avignon (Pont St-Bénezet) é o monumento mais visitado da cidade. Em 1177 o jovem pastor Bénezet escutou vozes que o ordenazam a construir a ponte, ligando Avignon a uma charmosa cidadezinha ao lado (Villeneuve-lès-Avignon). Tratado de louco pelas autoridades, ele convenceu o povo, que o ajudou na construção da ponte de 900 metros e 22 arcos. Destruída por diversas cheias no século XVII, hoje restam apenas 4 arcos. Existe uma pequena capela sobre a ponte (Capela São Nicolau), com deus santuários superpostos: um dedicado a São Nicolau e o outro a São Bénezet.



  A ponte vista do Rocher des Doms e uma imagem de São Bénezet

As muralhas que cercam Avignon são um espetáculo à parte:

Se não havia realmente uma importância militar na sua época, mas funcionava apenas como um primeiro obstáculo antes de chegar ao palácio, fico contente que ela esteja em tão bom estado! Um charme só, atualmente toda florida e arborizada.



Gostei tanto da cidade que a mesma merece um segundo post, reservado aos outros locais de visitação que geralmente a gente deixa de lado maravilhados pelos monumentos mais conhecidos!!! Ficaria cansativo em um só texto e não valorizaria as imagens!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Dica de teatro: "L'Intrus"

Ainda não tinha falado aqui da minha paixão pelo teatro. E Paris é uma das melhores cidades do mundo para quem ama o teatro, pois centenas estão em cartaz ao mesmo tempo, em centenas de teatros espalhados pela cidade, desde os mais simples até os mais famosos, com as peças mais despretensiosas até as mais célebres. Quando cheguei aqui e me senti capaz de entender corretamente um filme, comecei a ir ao teatro, mas ultimamente, falta de tempo, sou obrigada a selecionar o que tenho realmente vontade de assistir.
E como já comentei, o ano aqui começa em setembro, é quando recomeçam as aulas, quando novos livros são lançados nas livrarias e quando as novas peças, espetáculos e temporadas começam. Escolha não falta, e eu fico aqui calculando o orçamento para tentar fazer as melhores escolhas!

Nessa semana fui assistir à peça "L'Intrus", que aborda o universo de Henri, um especialista de problemas cerebrais em idade avançada que uma noite encontra no seu quarto um jovem que diz ser ele mesmo no passado, e que lhe propõe de lhe conceder uma nova juventude em troca da sua vida. Até aí tudo bem, um tema clássico (o clássico tema de Fausto) , mas a peça entra nos conflitos existenciais e fala de uma forma "leve" e com muita emoção do homem contemporâneo controntado às grandes questões da existência, como o senso da vida e da morte, os conceitos de felicidade e de amor.

Aos poucos também ele começar a ser confrontado com a idéia de estar ou não com Alzheimer, uma doença que ele conhece muito bem (pois passou anos pesquisando).

Os atores interpretam maravilhosamente bem, com menção especial a Claude Rich (principal), e a direção perfeita.

A peça me tocou muito por diversas razões, uma delas foi lembrar do tempo em que eu trabalhava em pesquisas sobre neuromemória, um trabalho que eu adorava e que depois deixei de lado para seguir outros caminhos, mas sinto muita falta principalmente do contato com idosos (a maioria dos pacientes eram idodos, mesmo havendo exceções), e eu revivi as mesmas angústias e as mesmas questões, para no fim chegar às únicas respostas possíveis.

Outro ponto alto da peça foi a decoração que trabalha a ilusão de ótica e as perspectivas e que me fez pensar no universo do artiste holandês Escher.

E você, gosta de teatro? O que tem visto ultimamente ou qual foi a peça mais marcante?

Informações:
L'intrus
Do 8 de setembro ao 31 de dezembro, na Comédie des Champs Elysées.