Mostrando postagens com marcador Vida na França. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vida na França. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de dezembro de 2013

Domingo Cultural

Um domingo em Paris como muitos outros. Ensolarado, mas muito frio. Nesses domingos de inverno não dá muita vontade de ficar passeando pelos parques e jardins da cidade, então aproveito para visitar o máximo possível os lugares fechados e cobertos, como museus, igrejas e outros monumentos.

E se for o primeiro domingo do mês, ainda podemos encontrar muitos locais com acesso gratuito:

Panthéon

Se inicialmente esse prédio foi previsto para ser uma Igreja em homenagem à Santa Genevieve, sua função há muito tempo é de honorar grandes personagens que marcaram a história da França.
Medindo 84 metros de largura por 110 de profundidade, ele se eleva a 83 metros na sua parte mais alta.




Seu interior é ricamente decorado com telas gigantes representando a história de Santa Genevieve, as grandes epopéias das origens cristãs e monárquicas da França.

A cripta cobre toda a superfície do prédio, e é ali, naquele labirinto austero que repousam os restos de 73 homenageados pela nação, dentre eles os filósofos Voltaire e Jean-Jacques Rousseau, os escritores Emile Zola, Alexandre Dumas e Victor Hugo (que além de escritor, foi importante político).



A única mulher ali presente é Marie Curie (tem uma outra, mas que estah ali somente para seguir o marido, que nunca quis se separar dela).
Em termos arquiteturais, o arquiteto Soufflot queria se aproximar da grandiosidade da Catedral São Pedro de Roma e São Paul, em Londres. E podemos notar que foi fortemente inspirado pelo Panthéon de Roma

Infelizmente o Panthéon está passando por importantes reformas e o famoso "Pêndulo de Foucault" (que prova a rotação da Terra) não está disponível para visitação. Assim como as fotos da sua parte externa estão comprometidas pela mesma reforma.

Sainte-Chapelle
Uma jóia da arquitetura gótica tanto na época em que foi edificada quanto hoje. Mas visitamos sobretudo para contemplarmos a luz que entra pelos seus vitrais.

Na verdade são 2 santuários, um sobre o outro, e o mais impressionante é o nível superior, com seus 15 vitrais que contam 113 cenas do Antigo Testamento e da Paixão de Cristo. Datando de 1242-1248, dois terços deles são originais!

Na parte inferior, é a sua pintura mural que impressiona, a mais antiga de Paris.


Conciergerie
A Conciergerie é esse prédio à esquerda

O mais antigo testemunho dessa primeira residência dos reis de França, em plena Île de la Cité, foi mais tarde Palácio de Justiça e prisão (mais de 5 séculos de vida prisional na Conciergerie).
As partes restantes, ou seja, as salas baixas, foram construídas em 1302, um exemplo de arquitetura civil gótica (geralmente reservada às catedrais).

Podemos visitar o corredor dos prisioneiros e algumas celas foram reconstituídas, dentre elas a cela onde Maria Antonieta esteve detida.

Atualmente (até o dia 6/1/2013), uma (pequena) parte da coleção de arte comtemporanea do milionário e colecionador François Pinault pode ser vista nas vastas salas da Conciergerie: A Triple Tour
O tema é o "confinamento", e por isso a escolha de uma antiga prisão não surpreende. São um conjunto variado de pinturas, esculturas, instalações e vídeos que falam de confinamento em todas as suas formas: psicológico, penal, político, mental e afetivo.

Sn Yuan e Peng Yo, dois artistas chineses que travalham juntos desde o final dos anos 90 estão ali representadas com uma obra perturbadora: Old Persons Home, onde 13 personagens imitando o real (como bonecos de cera) representados em idade avançada, todos de origens e condições de vida diferentes, que para mim mostra o quanto diante da morte somos todos parecidos. Ao mesmo tempo foi chocante foi ver que os visitantes "não os viam" espalhados pela sala, para mostrar o quanto fechamos os olhos diante dessa fase da vida. E assim que percebiam os "personagens" inanimados, a reação era um enorme desconforto.


Informações práticas:
Panthéon: Visita gratuita no 1º domingo dos meses de novembro à março.
Sainte-Chapelle e Conciergerie: Visita gratuita todos os primeiros domingos de cada mês.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Comidinhas do final de semana, por mim!

Quando fico muito tempo sem postar novidades é porque andei ocupando meu tempo livre com outra coisa, além do blog... 
E desta vez ocupei meu tempo cozinhando!

No Brasil eu quase nunca cozinhava (tinha a minha mãe para fazer isso) e também nunca me interessei muito. Nunca gostei de cozinhar as coisas do dia a dia (arroz, feijão, bife, batata frita)... Ao invés disso, preferia testar coisas esquisitas que minha familia quase nunca gostava!

Porém morando no exterior, tive que aprender a me virar. Se eu não fizesse as compras e cozinhasse, ninguém faria isso por mim. Mas foi a gastromonia francesa que realmente me conquistou, além do meu publico francês, que adora ser cobaia das minhas aventuras culinarias.

Não renego a cozinha brasileira, mas sei que nunca conseguirei copiar o gosto de saudade que me vem a cada vez que lembro de um prato da minha mãe, irmã ou da minha tia. E como aprendi a cozinhar realmente aqui na França, nada mais natural que minhas especialidades sejam especialidades francesas... Ou do mundo, devido ao meu interesse pela gastronomia do mundo.

Desta vez fiz um dos meus pratos preferidos, o coq au vin (galo no vinho) que, segundo meus convidados, ficou muito bom (soh estou repetindo o que me disseram!). As batatas não deveriam estar ali, mas substitui na ultima hora jah que uma das pessoas não comia champignon.

O segredo é deixar o galo marinar MUITAS horas no vinho tinto, é isso que vai dar essa cor à carne e ao molho.. Servi com um tipo tagliatele italiano de verdade e salada verde. 
Um bom pão não pode faltar para não desperdiçar o molho!

E estou muito orgulhosa de ter acertado meu primeiro carrot cake (bolo de cenoura). 


Sempre amei bolo de cenoura, principalmente o da minha irmã, mas ha alguns anos descobri os carrot cakes ingleses e desde então fiquei viciada. Quando planejo uma viagem à Inglaterra jah fico pensando nos bolos que vou comer, ou compro um sempre que passo na frente de uma loja Mark & Spencer em Paris (ou faço toda uma volta somente para passar na frente de uma de proposito para comprar um bolo).

Com esse friozinho, uma sobremesa com canela cai bem! Gostinho de Natal no ar?

A pedido, receitas:

Coq au vin:
Em um recipiente, colocar o galo cortado em pedaços, cenoura cortada em rodelas, cebola picada, alho e temperos. Cobrir tudo com o conteúdo de uma garrafa de vinho tinto. Tampar o recipiente e deixar repousar de um dia para outro (fiz por volta da meia-noite para cozinhar no dia seguinte às 17h e deixei na geladeira).
Prever 3 boas horas de preparação+cozimento. Separar o galo e coar a marinada para separar o líquido dos legumes. Em uma panela (usei uma "cocotte"), colocar para dourar a carne em um pouco de óleo (uso de oliva). Quando estiver dourada, retirar e deixar esperando. Colocar os legumes da marinada, mexendo bem para pegar de todos os lados. Jogar por cima uma colher de farinha e mexer bem. Recolocar a carne (uma opção é flambar com cognac). Cobrir tudo com o vinho da marinada. Adicionar sal e outros temperos que desejar. Deixar cozinhar por cerca de 2h30.

Em uma frigideira, dourar os lardons (pedacinhos de bacon?) e o champignon, adicionando esses ingredientes na panela do galo cerca de 15 minutos antes de servir. provar para verificar se o tempero ficou a gosto, corrigir se necessário.

Carrot Cake:
(Fiz tudo em batedeira ea receita rendeu esse bolo da foto + um outro menorzinho: ou seja, para uma forma relativamente grande, então)
Bater 125g de manteiga (tem gente que prefere óleo vegetal) com 250gr de açucar até que fique cremoso. Adicionar 4 ovos (claras e gemas), misturando tudo.
Separadamente, misturar 300gr de farinha, 20gr de canela em pó, fermento para bolo e 10gr de sal. Em opção: cravo e gengibre (que não coloquei, não gosto de cravo). Adicionar essa mistura com os outros ingredientes já batidos e continuar batendo até que fique tudo homogeneo. Acrescentar 5 cenouras raladas, um punhado de nozes e castanhas do pará (ou outros ingredientes semelhantes), lembrando de picar ou quebrar bem. Bater para misturar tudo.
Untar a forma e assar em fogo médio por cerca de 35 minutos (tenho um forno bom)

Cobertura:
Bater 200gr de açucar de CONFEITEIRO, 25gr de manteira, 150gr de creamcheease e algumas gotas de limão. Cobrir o bolo com essa cobertura.
Opção: fazer duas camadas de bolo, com essa cobertura igualmente como recheio. decorei com as nozes.

Et bon appétit !

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Como evitar a fadiga de inverno e falta de ânimo

Aqui na Europa estamos nos aproximando de um longo inverno, com dias curtos, noites longas, neblina, chuva e/ou neve. 
Si os europeus já sofrem com isso, imaginem os brasileiros?

Muita gente adora o outono e as suas cores, mas para mim, assim como para uma boa parte dos franceses, o mês de novembro (pleno outono!) é um dos mais críticos, com seus dias cinzentos e curtos.


O cansaço parece permanente, é difícil sair da cama pela manhã e falta motivação para realizar as tarefas e demais atividades que antes fazíamos com dedicação e/ou prazer.
Esse cansaço é normal segundo os especialistas, mas é melhor prevenir para evitar que ele prejudique outras esferas da nossa vida (atividades sociais, trabalho, família). E toda atenção é pouca, pois muitas pessoas sofrem realmente de depressão sazonal.

Entendendo o fenômeno para agir sobre ele:

Luminosidade:
O principal responsável desse estado é a falta de luminosidade, já que os dias são curtos e o sol desaparece às 17h (ou antes), isso quando ele deu as caras... A luz bloqueia a secreção de melatonina, que essa provoca a vontade de dormir. Esses dias escuros atrapalham a produção da serotonina (um hormônio ligado à sensação de bem-estar e saciedade) e a luz solar tem um papel muito importante na ativação da vitamina D (que auxilia a produção de serotonina, por sua vez) . 
O jeito é captar o máximo de luminosidade, como abrir as persianas desde cedo para deixar entrar o dia (mesmo nublado), caminhar ao ar livre (evitar os transportes escuros que nunca veem a luz do dia, como o metrô), passeios aos finais de semana em lugares abertos.
Para os casos mais "graves", existe a luminoterapia, umas lâmpadas específicas que podemos comprar e instalar em casa para suprir essa falta de luminosidade externa.
Se no outono as cores são relativamente quentes (como na imagem à esquerda), nos dias cinzentos o que vemos é a imagem à direita. Ou seja, até mesmo a imagem que os olhos vêem depende da luminosidade.

Repouso:
Com os ataques de frio, o corpo precisa realmente descansar, porém é necessário respeitar um ritmo regular e evitar de ir dormir muito cedo. Não adianta nada dormir às 20h e acordar no dia seguinte às 8h da manhã, mesmo se já escureceu faz tempo. O corpo não precisa de 12 horas de sono e acordamos ainda mais cansados. Se bater um cansaço durante o dia, a soneca pode ser uma boa alternativa (se compatível com as atividades diárias), mas nunca deve ser LONGA, par não entrarmos no sono profundo, pois nesse caso a sensação será ainda pior ao acordar.

Atividade física:
Com os dias frios e cinzentos temos tendência a abandonar o esporte, o que é um enorme erro. O corpo precisa de movimento de forma regular e é isso que vai garantir a estimulação da sua tonicidade e melhorar a qualidade do sono. Ou seja, o corpo precisa "cansar" de forma positiva, por estímulos físicos e mentais, e não por falta deles. 
Lembrando que o esporte é um excelente anti-depressivo pois ajuda a produzir endorfinas e dopaminas, os neurotransmissores do prazer. Se é difícil praticar atividades esportivas ao ar livre devido às condições climáticas, aqui existem as piscinas municipais e as academias, que são bem quentinhas!


Alimentação:
Um outro erro é substituir os pratos leves por pratos bem pesados, ditos "de inverno". Não vamos abusar (olha quem falando, mas eu tento!) e usar a desculpa do frio para negligenciar uma alimentação equilibrada. 

Frutas e legumes frescos
Para enfrentar um inverno rigoroso o corpo precisa de alimentos ricos em ferro (a carne vermelha é uma das principais fontes), em vitamina C (legumes verdes, salsa e frutas cítricas), vitamina D (leites e derivados) e magnésio (frutos do mar, nozes, banana).

 Que tal um delicioso suco de laranja, cenoura e gengibre?


Prontos para enfrentar o outono-inverno?



sábado, 26 de outubro de 2013

Manual prático de boas maneiras na França

Não é novidade que muitos brasileiros têm uma imagem bem negativa dos franceses, principalmente dos parisienses, na ocasião de sua passagem pela capital francesa.

Tenho visto ao longo desses meus 5 anos na França o outro lado da moeda. Os franceses têm muitos defeitos e não são exatamente referência em educação, mas eles possuem seus códigos, e então o estrangeiro que não respeita o básico desses códigos e fórmulas acaba passando por uma pessoa muito desagradável (justamente quem pensa que os franceses é que são desagradáveis).

Claro que ninguém nasce sabendo, mas acredito que uma boa observação do ambiente já nos fornece bons indícios de como nos comportarmos. Foi isso o que sempre me fez me virar em diversos países do mundo, mesmo quando havia uma grande barreira da língua.

Alguns pontos sensíveis:

- Dizer e responder ao "bonjour"
Em estabelecimentos administrativos, comércios, restaurantes, na verdade em qualquer lugar aqui, costuma-se dizer "bonjour" antes de toda e qualquer coisa. Infelizmente tenho percebido que os nossos conterrâneos não são acostumados a saluar "desconhecidos". Já ouvi de "amigas" que sempre foram "educadas", ao entrar em uma loja francesa, que não vão responder a um subalterno! Essa semana vi uma vendedora saluar com um "bonjour" um grupo de brasileiras, que ignoraram completamente (não responderam e nem olharam), aí a vendedora repetiu em inglês... Uma das brasileiras disse, bem grossa: "a gente se conhece?"
Se o "cliente" aqui ignora seu interlocutor, pode ter certeza que o mesmo não terá a mínima vontade de ajudá-lo, fazendo seu trabalho de forma mais impessoal possível.

- Falar alto
Eh conhecido aqui na França que brasileiros falam alto e todos ao mesmo tempo a ponto de atordoar as pessoas ao redor. Uma vez uma brasileira me disse que isso não era sinal de má educação. Bom, na minha família falamos alto, mas a minha mãe sempre nos ensinou que em casa e no meio do mato podemos falar como quisermos, mas que em locais públicos ou que temos que dividir com os outros, temos que moderar o tom. Para mim o respeito é reconhecer que não estamos sozinhos no mundo e que falar alto incomoda sim.
Falar alto e rir alto em restaurantes calmos, museus, igrejas, qual o sentido?

- Por favor
Os brasileiros não se sentem confortáveis em dizer "por favor, s'il vous plaît ou please"... Raramente ouvi isso de algum brasileiro aqui na França. Parece que na nossa cultura isso é sinal de "rebaixamento", enquanto na França é sinal de respeito. E aqui na França, isso é primordial no contato com o outro. Desta forma, se a gente pede algo sem usar essas fórmulas, o interlocutor pensa direto que está diante de uma pessoa muito mal-educada e EXTREMAMENTE desagradável que não merece nenhuma simpatia da sua parte.
Mesmo em inglês tem brasileiro que diz "I want" ao invés de "I would like"... Razão suficiente para receber um tratamento seco e ríspido.

- Pedir informação
Muito brasileiro (ou estrangeiro em geral) fica muito bravo quando pede uma informação e o outro responde que não sabe. A mania de perseguição lhe faz acreditar que o francês sabe, mas não quer dizer, por pura maldade. Já pararam para pensar que simplesmente ele não saiba??? 
Todos os dias me interrompem na rua para perguntar onde tem banheiro, mas eu não conheço os endereços dos banheiros públicos de Paris. Quando preciso, vou a um café ou algo do gênero. Tem lugares em que mesmo os franceses se sentem meio perdidos, como na região de Chatelet, que é um verdadeiro labirinto. Então, explicar a alguém que não fala nem francês nem inglês que tem que seguir 200 metros, dobrar à esquerda, depois à direita 3 vezes, atravessar uma praça... Pode ser muito complicado.

Ontem me perguntaram na Champs Elysées onde tinha uma joalheria. Disse que tinha várias ao longo da rua e que não sabia exatamente onde. A americana ficou furiosa, disse que eu iria fazê-la andar para cima e para baixo só porque eu não queria dizer! Respondi um tom mais grosso que o dela que não costumo ir nas joalherias dali, nunca entrei em nenhuma, mas que tinha certeza que no caminho em direção ao Arco do Triunfo ela poderia encontrar Cartier. Ela foi embora bufando (dizem que os franceses são especialistas em bufar) e me xingando. 
Quantas vezes também já vi brasileiro perguntando ao vendedor quanto custa um determinado produto em REAL ou então em dolar. Quem aqui vive ganha e gasta em euro, a cotação das moedas estrangeiras interessa somente para quem vai viajar ou tem negócios no exterior. Melhor andar com uma calculadora e com a cotação do dia, se quiser converter!
Isso também vale para a tax free (détaxe). A lei é clara, o cliente tem que comprar 175.01€ ou mais na mesma loja e no mesmo dia. Não é má-vontade do vendedor ou da loja que não quer fazer a détaxe para você!

- Escada rolante
Não só brasileiros, mas turistas em geral têm muita dificuldade em usar corretamente as escadas rolantes. Não me lembro quem me disse, mas desde a minha adolescência eu sabia que as escadas rolantes são geralmente largas não para que o casal suba de mãos dadas, mas para que de um lado fique quem segue o ritmo da mesma, e de outro quem quer ir mais rápido. Aqui na França é isso. Se a gente olhar só um pouquinho vamos ver que todo mundo se concentra no lado direito, e o esquerdo fica livre para quem está com mais pressa. E as pessoas usam mesmo! 
Mas porque tanta pressa, você diria? Eh realmente tão urgente? Por que a pessoa não saiu de casa 15 minutos mais cedo se está tão apressado?
Eu respondo que quando chego em casa às 22h30, prefiro chegar às 22h30 e não às 23h porque alguém bloqueou a escada rolante e isso me fez perder o ônibus por 2 segundos, resultando em uma espera de 30 minutos pelo próximo (o que aconteceu 2 vezes na semana passada).
Geralmente as pessoas aqui fazer várias correspondências de metrô, e se a cada vez elas perdem o seu transporte, no final do dia isso representa muito tempo perdido.
Algumas pessoas me falaram que nunca tinham pensado nisso, pois no Brasil só conheciam escadas rolantes de shopping, onde ninguém estaria apressado. Mas você já pensou que para 200 lojas de 5 funcionários são mil pessoas que ali trabalham? Então tem muita gente que não está ali por prazer, mas tenho certeza que muita gente não pensa nisso e sou meio radical para dizer que aí está mais um problema que é a dificuldade de se colocar no lugar do outro. Se a gente está passeando, esquece que tem muita gente que vive disso.

- Segurar a porta
Aqui se costuma segurar a porta para a pessoa que vem atrás... Mas se espera que quem vem atrás pegue a releva. Ou pensam que ele segurou a porta porque é porteiro?

- Horários
Se um restaurante (ou loja, etc) diz que fecha às 22h30, não dá para chegar às 22h30. Quer dizer simplesmente que nesse horário o serviço tem que estar terminando. No início eu me indignava muito com isso, mas agora entendo: é um respeito para com o ser humano, o funcionário que tem outras responsabilidades. 

- Idosos
Muita gente diz que na França não se respeita os idosos e que por isso os franceses não podem dizer nada em termos de "educação". O que acontece é que aqui na França o número de idosos é extremamente alto e normalmente eles estão em boa saúde. Idosos de 70 anos praticam esportes, longas trilhas (sobem na muralha da China tranquilamente com mais facilidade que um jovem). Então se pensa que se a pessoa é aposentada e em boa saúde física ela pode esperar como todo mundo na fila. 
Mas vejo muita gente deixando lugar nos transporter para pessoas idosas... Mas geralmente são pessoas que se mostram um pouco debilitadas, não o idoso super-em-forma.

- Espaço
Se não tem lugar livre, todo mundo anda apertadinho. Mas quer irritar muita gente é sentar ao lado de alguém quando o ônibus ou vagão está vazio.
Outro dia acordei de pé esquerdo e troquei de lugar quando uma mulher veio se sentar ao meu lado: tem 13 lugares vazios no vagão e essa senhora vem justamente se sentar ao meu lado?????

Para finalizar, tem muito brasileiro que acha que a melhor cerveja é brasileira, o melhor vinho, o melhor chocolate, assim como a melhor pizza e até o melhor "pão francês". Para esses, eu me pergunto se viajar vale todo esse sofrimento...

sábado, 5 de outubro de 2013

Solitude em Paris

Quando você vê uma pessoa sentada em um banco de jardim LENDO um livro, o que você pensa?

(a) Trata-se de uma funcionária de Informações Turísticas de plantão, vou correndo pedir uma informação!

(b) Ela deve estar louca para jogar conversa fora!

(c) Ela não está fazendo NADA, vamos ocupá-la tirando fotos.

(d) Não vou incomodar quem está concentrado na sua leitura.


Ontem tive a tarde de folga e decidi ler um livro em uma linda paisagem de Paris. Não queria ficar trancada em casa.

Mas de posse do meu livro, em duas horas não consegui ler nem mesmo 30 páginas, sendo interrompida:

- 22 vezes com perguntas do tipo: Where is the Eiffel Tower? Notre-Dame? Boulevard St-Michel? Louvre Museum?

- Fui solicitada 18 vezes a fotografar os turistas.

- 5 pessoas se aproximaram para falar da vida e perguntar o que eu estava lendo.

- 2 pessoas se sentaram ao meu lado para melhor falar ao telefone alto em uma língua estrangeira (#frustrada por além de ser perturbada, não conseguir entender a conversa!!!)

- E de quebra, ainda fui chamada para participar de um documentário para um canal da TV Angolana...


Impossível ter um pouco de paz em Paris! 
Quando eu conseguir concluir a minha leitura venho contar para vocês as minhas impressões!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Trabalhar na França

Muitas pessoas chegam ao blog em busca de informações objetivas sobre o trabalho na França e acabam frustradas, então desta vez resolvi tentar explicar de forma mais objetiva.


Antes de aceitar uma proposta, é importante saber:
- tipo de contrato
- carga horária semanal ou dias trabalhados por ano
- salário e benefícios

Informações práticas:

- Para trabalhar na França é necessário ter a nacionalidade de um dos países membros da Comunidade Européia OU ter uma permissão (carta de séjour ou de résident) que autorize a trabalhar no país.

- A busca por emprego se faz deixando seu currículo disponível nos diversos sites de vagas de emprego, enviando diretamente às empresas (de preferência pela internet, mas vale pelo correio ou se apresentando pessoalmente em alguns casos, como lojas, restaurantes, hotéis, por exemplo, que sempre estão buscando alguém)

Tipos de contrato
  CDI: contrato por tempo indeterminado. Quer dizer que após o período probatório, para ser demitido é muito difícil, a não ser em caso de problema grave e em caso de dificuldades financeiras da empresa.

- CDD: contrato por tempo determinado, que significa que tem data para começar e para terminar! Pode ser menos de 1 mês, pode ser 6 meses ou mesmo 1 ano!!! Na teoria esse tipo de contrato existe para quando a empresa não precisa aumentar seu quadro de funcionários indefinidamente, mas em casos específicos (licença maternidade, férias, licença formação, doença, aumento de atividade temporária como Natal). Ao final do contrato, a empresa pode propor um CDI (pela lei quem está em CDD tem prioridade), ou pode ainda renovar o CDD.
Existem muitos contratos de "intérim", que são como CDDs (com data de inicio e fim), mas o empregador é uma empresa terceirizada, ou seja, uma agência de intérim. Eh uma forma de entrar no mercado de trabalho.

Carga horária semanal
Um tempo completo é de 35h, geralmente dividido em 5 dias de 7 horas de trabalho. A pausa para almoço não é inclusa no tempo de trabalho efetivo. Porém já vi muitas ofertas de trabalho para 39 ou 42h
Para cargos de chefia ou de carater mais especializado (cadre ou agent de maîtrise), geralmente eles contam 39h por semana na teoria, mas na prática não se tem hora para terminar... O funcionário tem prazos para terminar suas tarefas e os mais conscienciosos trabalharão até mais tarde ou levarão trabalho para casa. Esse assunto já gerou muita controversa, e andei perguntando a todo mundo que eu conheço sobre isso.

Milena: - D., você quase nunca consegue sair do trabalho antes das 20h. Quem te disse que tinha que trabalhar todas essas horas?
D. : Ninguém me disse, cada um gera as suas atividades, mas quando você vê que às 18h nenhum colega ainda deixou a sua mesa e que ainda resta muita coisa atrasada, você não quer ser o primeiro a partir e ficar "mal-falado".

Vejo também na minha empresa pelos e-mails que recebo, alguns bem tarde da noite, outros bem cedo da manhã...




São muito comuns os "tempos parciais", pessoas que trabalham 30h por semana, 20h, 10h ou menos... Acho muito bom para quem é estudante ou para quem quer, assim permite ganhar um dinheirinho, mas infelizmente se têm multiplicado esse tipo de contrato e muitas pessoas não têm escolha. Na teoria, assim que se libera uma vaga em 35h, quem está em tempo parcial seria prioritário...

Férias

São 5 semanas por ano, que podem ser tiradas separadamente. Cada empresa tem as suas regras e também existem as convenções coletivas.
Por exemplo, na minha empresa eles NUNCA dão mais de 3 semanas consecutivas de férias. Eu gosto de tirar 3 semanas no verão (bom para fazer uma viagem longe como é o caso do Brasil e foi a China), depois 1 semana no inverno (muita gente faz o mesmo, para esquiar ou fugir do frio em algum país quente) e 1 semana na primavera. Igualmente na minha empresa, pela atividade principal, em algumas datas eles não autorizam férias de jeito nenhum, como é o caso de metade de novembro até o Natal e o mês do Dia das Mães.

Para os "cadres" dos quais falei mais acima, eles beneficiam igualmente de dias de folga, que são chamados RTT (redução de tempo de trabalho). O cálculo é complicado, depende dos dias úteis do ano e do contrato, mas geralmente fica entre 8 e 12. Porém para usufruir desses dias de "folga" cada empresa tem as suas regras. Temos amigos que acumulam tudo, já outros que a empresa autoriza 1 RTT por mês. Na minha podemos acumular 3 RTTs, mas não podemos acumulá-los com férias, por exemplo. Ali eles não gostam que passemos muito tempo longe da empresa.

Salário e benefícios

O salário mínimo para 35h por semana fica em torno de 1120€ líquido em 2013 (retirando os descontros). Quando vemos o salário bruto, um bom cálculo é retirar 22% para saber quanto receberemos de verdade.
Porém vale lembrar que ao contrário do Brasil, o imposto de renda não é descontado em folha de pagamento!!! Ou seja, o IR é pago separadamente, uma vez por ano, ou então podemos entrar em contato com o centro de impostos mais perto de casa e solicitarmos a mensualização (o que particularmente prefiro, para não pagar toda a bolada de uma vez).

13º salário não é previsto em lei, como no Brasil. Algumas empresas o fazem, mas resta uma minoria. Meu marido que é funcionário público não tem 13º salário, e eu também não. Mas no meu caso beneficio de participação nos lucros, o que tem sido interessante, já que até o momento a empresa vai bem.

A empresa deve pagar 50% do transporte do empregado. Mas caso o mesmo utilize seu veículo pessoal, não é previsto o pagamento pela empresa(mas podemos descontar no imposto de renda). Algumas empresas podem ter uma verba para o combustível, mas geralmente é quando se utiliza o veículo no contexto do trabalho.

Algumas empresas disponibilizam aos funcionários um "plano de saúde", que aqui na França se chama Mutuelle, e geralmente é mais interessante fazer com a empresa do que fazer por si mesmo. Eh muito importante ter uma "Mutuelle" pois somente uma parte dos gastos com a saúde são pagos pela saúde pública. O restante, quem não tem uma mutuelle tem que pagar do seu próprio bolso. Consultas, medicamentos e exames simples não são um problema, pois são realmente muito baratos (comparando com o Brasil), mas em casos mais complexos os preços são absurdos, como uma diária em UTI (somente a parte que não é coberta pela saúde pública pode ultrapassar os 2 mil euros por dia... então imagine 10 dias em UTI...)

Outras peculiaridades

- Em caso de afastamento do trabalho por doença, são previstos 3 dias de carência em que o funcionário não é pago. Se por um lado evita que a pessoa falte ao trabalho por qualquer bobagem, prejudica quem realmente está doente, no meu ponto de vista. Sem contar que os médicos acabam sendo condescendentes e ao invés de dar 3 dias de repouso por uma gripe, acabam dando atestado pela semana inteira!!!

- Licença maternidade: 16 semanas, mas conta a partir do momento em que deixou de trabalhar (geralmente 6 semanas antes do parto) e as semanas seguintes após o nascimento do bebê. A licença aumenta em caso de gêmeos (ou mais), ou caso a gestante já tenha outros filhos. A não ser  que o médico coloque como doença... E geralmente os médicos são mais uma vez "parceiros"... Na minha empresa, nunca vi uma colega trabalhar além dos 5 meses de gravidez, e olha que tem umas 50 grávidas por ano!!! Vai me dizer que TODOS os casos eram gravidez de risco que exigia repouso absoluto?

- Licença parental: para um filho, pode ser remunerada durante 6 meses, ou até 3 anos da criança quando é o segundo filho ou mais. Apesar do valor da licença ser bem baixo, para algumas famílias ou salários baixos pode compensar, tendo em vista que aqui na França pagar uma babá custa muito caro.


- Jornada de solidariedade: 1 vez por ano temos que trabalhar gratuitamente para que o dinheiro seja revertido aos cuidados com os idosos. A cada ano a data muda, mas é sempre em um feriado. Quando é possível trabalhar no feriado, o funcionário trabalha sem ser pago, mas quando não é possível (a empresa não tem atividade/ não abre nesse dia), temos que colocar esse dia como férias ou RTT.

Espero que essas explicações tenham ajudado a deixar mais claro o universo do trabalho na França.

* existem algumas diferenças entre o que é regra na França e uma legislação em vigor na região da Alsace-Moselle. Pode ser mais avantajoso viver e trabalhar na por lá!!!

domingo, 8 de setembro de 2013

Une journée à la parisienne*

Aqui em casa adoramos tirar o dia para bater perna em Paris, mas temos as nossas responsabilidades no dia a dia, então nem sempre podemos fazer isso sem que seja na correria. Geralmente tentamos aproveitar após o trabalho, antes ou depois de encontrar os amigos, e muitas vezes estamos fora passeando. Porém moramos na região porque gostamos e curtimos muito a vie à la parisienne* (vida que levam os parisienses).

Neste final de semana resolvemos ficar na cidade tiramos o dia só para passear!

O sábado começou acordando tarde e com uma visita à mediateca em frente à nossa casa. De lá seguimos para o Marché aux Puces (mercado das pulgas) de St-Ouen (ou conhecido como marché de Clignancourt). Esse "mercado" tem duas partes bem distintas, uma delas eu adoro e a outra eu odeio.

Uma delas é o tradicional mercado de antiguidades, onde podemos encontrar de tudo, desde móveis de diferentes épocas (normalmente em excelente estado), esculturas, telas, molduras, bibelôs, jóias... De tudo para decorar a casa e as pessoas de gostos tão diferentes, mas com dinheiro no bolso, já que comprar coisas de outras épocas não é nada barato.

Os comerciantes do setor comentam que as novas gerações não gostam de nada que seja "antigo", não se interessam pelo trabalho artesanal, a qualidade das matérias-primas, e preferem uma decoração clean e moderna estilo IKEA, mas que felizmente eles encontram uma clientela internacional que aprecia esses objetos repletos de história e frutos de muito trabalho e criação, como alguns povos asiáticos, do Oriente Médio e alguns americanos, russos e brasileiros afortunados.

A outra parte é a feira ao ar livre que na verdade é um grande camelódromo e cos "vendedores" ambulantes de falsificações de grandes marcas.

Qual delas eu adoro?
Acertou quem pensou na primeira opção. Na verdade são 15 mercados reagrupados no mesmo bairro: Serpette (o mais seletivo, referência internacional em antiguidades "preciosas"),  Vernaison (o mais antigo, onde tudo começou), Paul Bert, Antica, Biron, Cambo, Dauphine, Django Reinhardt, Jules Vallès, le Passage, Malassis, Malik, l'Entrepôt, des Rues et Brocantes  et L'Usine & Lécuyer (somente para professionais, trabalha com exportações em grande quantidade). Ou seja, são centenas e centenas de lojas et stands. Adoro passear por esse ambiente único que reúne antiquários, criadores, artistas, artesãos, restauradores et marchands, conversar com eles, encher os olhos, pois comprar já não quer dizer que eu possa, primeiro porque falta o dindim e segundo porque temos que escolher bem, já que o nosso apartamento é pequeno e não dá para ficar enchendo de coisas! 

Acabamos encontrando uma vendedora de antiguidades que fez questão de nos mostrar mais de 100 peças da sua coleção de estampas japonesas, explicando cada detalhe e acabamos sucumbindo a uma peça de 1891 do artista Chikanobu.
Depois fomos almoçar em um restaurante branché que fica ao lado da entrada do marché Serpette: Ma Cocotte, do qual eu já tinha falado aqui.

Ambiente sempre agradável, clientela e funcionários com ares alegres e sorridentes e desta vez optamos pelo Fish & Chips, já que estávamos com um espírito Notting Hill.

Deixamos para comer a sobremesa mais tarde, no meu "sorveteiro" preferido: Berthillon, na Île de Saint Louis, do qual também já falei aqui. Os sorvetes são de fabricação artesanal, sem colorantes nem conservantes e os sabores mudam de acordo com as estações... Não resisto ao chatilly caseiro, seja ele normal ou de morango.
Essa foto foi da penúltiva vez, hoje começou a derreter e não tive tempo de fotografar!

Acabei não resisti e dei uma passadinha na loja "Première Pression Provence", que vende excelentes azeites de oliva do sul da França e diversos outros produtos da região, tudo de qualidade de primeiríssima! Há anos sou fã da marca e fui me reabastecer em vinagre de framboesa. As saladas ficam fabulosas! 
 Vou testar também o de figo e depois conto para vocês!

Precisei dar uma passadinha nas redondezas do Opéra Garnier e acabei entrando na lojinha (podemos ver uma parte do "Opera" da loja). Se o Opera Garnier foi construído mais tarde (1875), a sua Escola de Dança foi criada na época do rei Luís XIV e comemora agora em 2013 seus 300 anos, sendo a mais antiga escola de dança do mundo ocidental.

 Não danço nada mas sou fascinada por esse universo e se um dia tiver uma filha, gostaria muito que ela tivesse aulas de ballet. Mas é claro que o mundo também precisa de bons dançarinOs.

 As crianças que ali iniciam seus primeiros passos são chamadas de "petits rats de l'Opéra", que quer literalmente dizer "ratinhos". 


Dali lembramos que tínhamos que comprr um presente para um bebê e pensamos direto na loja Nature & Decouvertes. Difícil explicar o conceito da loja, mas ali encontramos diversos artigos para o bem estar, tudo de qualidade, respeitando a natureza. Eles tem toda uma linha fofa para bebês e crianças para despertar os sentidos, ensinar e tudo é muito fofo. Dúvida cruel entre essas duas ovelhinhas:
Impossível tomar uma decisão e tivemos que apelar aos universitários ao vendedor. Qual deles vocês me aconselhariam?

Os dias por aqui passam rápido, levamos uma vida normal, só muda o endereço.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Casamento na França

Existem muitas formas de se "casar" na França e comemorar esse momento. Gostaria de compartilhar o que tenho experienciado por aqui nesses últimos anos. Não é a única forma de festejar, pode variar de acordo com a região do país, tradições de família e outros detalhes, mas algumas coisas se repetem, ou seja, podemos falar de tendências.

Um casamento completo é geralmente composto por: casamento no civil, seguido pelo casamento religioso, vin d'honneur, uma pequena pausa relax e depois o jantar com a festa. Em partes:

Na França o casamento geralmente começa no início da tarde ou no final da manhã do sábado. 
Nós e a minha afilhada sábado passado

Cerimônia Civil:
No último casamento para o qual fui convidada, o casamento civil estava marcado para as 14h. Na França, o casamento civil é realizado na mairie, o nosso equivalente no Brasil à Prefeitura e é realizado pelo prefeito ou seu substituto. Não existe cartório na França e nem nada parecido na minha opinião. Para registrar os filhos também se deve ir à mairie, assim como para fazer a identidade francesa ou passaporte francês. 
Pode ser mais ou menos longo, mas na minha opinião é mais interessante que o casamento no cartório no Brasil. Existe geralmente uma sala específica para casamentos, espaço para vários convidados. O prefeito lê os artigos pertinentes do código civil que diz respeito ao casamento, a vida de casal e a criação dos filhos.
No meu casamento (que foi só no civil), teve música para a entrada dos noivos (marcha nupcial), troca de alianças e tempo para fotos.
Quando o prefeito nos declara casados, recebemos o livret de famille (livro de família), que é como um caderninho, com as informações de estado civil sobre os conjuges e é nesse livro que são registrados os filhos.

Quando o casal não quer fazer grandes festas e não vai casar no religioso, pode optar pelo ato civil no final da manhã e receber os convidados para um almoço.

Casamento Religioso:
Acredito que seja como no Brasil, tudo vai depender da religião. Porém vale lembrar que a França "tradicional" é católica. Os judeus estão presentes há tempos no país mas sempre foram minoria. Protestantes também fazem parte de uma pequena minoria. Com a imigração intensa da Africa do Norte existem muitos casamentos muçulmanos. Porém, mesmo se tradicionalmente a França é (ou foi) católica, uma parte considerável da população atualmente se declara sem religião. 

Vin d'honneur:
Tia do meu marido, grande amiga de facebook!

Os convidados são recebidos para um brinde, com bebidas e algumas coisas para beliscar. O brinde dura horas e horas, os convidados geralmente ficam em pé e existe uma boa interação. Pelo que percebi nas festas francesas, os convidados têm a "obrigação" de cumprimentar e se apresentar para todo mundo, caso contrário é visto como muita falta de educação. Mesmo se a gente chega para uma recepção de 100 convidados, é necessário se apresentar e cumprimentar os 100 e se despedir dos 100, mesmo pessoas que a gente nunca mais vai ver na vida...

Carreata:
Quando as pessoas começam a ficar dispersas, geralmente tem uma carreata... Os noivos saem na frente, com um carro geralmente decorado de flores, seguido pelos demais convidados (que receberam decorações discretas para decorar os espelhos ou antenas), e quem finaliza a carreata é o carro "vassoura".

O carro "vassoura" (voiture balai) é normalmente decorado de forma bem brega, com vassouras e imagens que representam os noivos.

Pausa: 
Se ainda é muito cedo para o aperitivo, costuma-se ir a um lugar bonito para tirar fotos e/ou fazer uma caminhada. Adoro caminhar, mas confesso que detesto essa parte de subir colina de salto alto!!!
Começamos o passeio lá embaixo do rechedo e fizemos toda a volta.

Jantar e festa propriamente dita:
No convite de casamento geralmente chega um anexo somente para quem está convidado para a festa, a elite, pois os demais mortais só são convidados para o vin d'honneur. Sempre me juraram que quem não é convidado para o jantar aceita tranquilamente, que ninguém fica brabinho ou "de cara".

A recepção começa com o aperitivo, onde mais uma vez os convidados bebem, comem e interagem em pé... durante horas. 
As vezes não aguento mais, não tenho mais vontade de falar com ninguém, quero sentar (os pés me matando após subir a colina), mas ninguém senta... Desta vez comentei com uma cunhada que concordou comigo que aperitivo de casamento era muito longo e que mesmo se ninguém se sentava eu poderia ir para o meu lugar e sentar (jamais sentar no lugar marcado de um outro!). Ela acrescentou que as pessoas ficam em pé pois o jantar mais tarde é sempre interminável e ficamos sentados por horas.

Alguns casamentos podem até propor lista de presentes em alguma loja, mas o que é mais comum é que o convidado deixe seu presente na forma de um cheque com uma mensagem em um envelope.

As classes médias francesas não costumam se endividar para festejar o casamento nem gastam fortunas. cada um com o seu budget, tem gente que aluga uma propriedade (mesmo um château, tem para todos os bolsos), outros reservam um salão de festas. Na França a decoração de qualquer jantarzinho é importante e para um casamento não é diferente, mas mais uma vez nas classes médias eles não gastam fortunas em decoração e privilegiam tudo que é feito por eles mesmos, em todos os detalhes.

Nesse exemplo os noivos escolheram bordô e prata na decoração.

Enfim os convidados são convidados a se sentar e são servidas as entradas. 

Nas festas de tradição normanda geralmente é servido um sorvete de maça com um digestivo em opção (Calvados) entre uma etapa e outra da refeição.
O "trou normand"
Após é servido o prato.

Seguido pelos queijos e a salada. Tudo está escrito no cardápio que os convidados têm à disposição, pois francês não come se não souber o que está comendo... Terminando pela sobremesa, o bolo de casamento que não é como nos casamentos no Brasil.
Nesse caso os noivos escolheram um fraisier (que vem de fraise=morango), uma sobremesa leve que combina com o verão e que dificilmente alguém não gosta aqui na França.

Depois o casal abre o "baile" com uma música a dançar à dois. Em seguida as músicas são mais agitadas, mas inicialmente meio bregas para o meu gosto, mas vai se animando conforme as horas vão avançando, e às 5 horas da manhã temos direito até a Gustavo Lima e Michel Teló.

Fim de festa é com direito à tradicional sopa de cebola.

Os convidados têm direito à algumas horas de sono, mas geralmente estão convidados para o almoço do dia seguinte... Que começa com o aperitivo, seguido pelo almoço propriamente dito (entrada, prato, queijos e sobremesa)... E termina passado das 18 horas...

E onde você mora, como são os casamentos?