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domingo, 6 de maio de 2012

Santa Ana, a última obra-prima de Leonardo da Vinci


Hoje decidimos ir mais uma vez ao Louvre, mas desta vez para visitar a exposição sobre a última obra de Leonardo da Vinci, a Santa Ana, que foi meticulosamente restaurada (falam de "a restauração do século") e está sendo apresentada juntamente com documentos histórios e desenhos preparatórios. Foi um trabalho que teria durado quase 20 anos, e ainda assim Leonardo o deixou inacabado. 

A exposição está muito bem organizada e tudo está ali explicadinho (em francês, para quem não lê francês a única alternativa é o audioguia), de fácil compreensão, na minha opinião, mesmo para os leigos e que não conhecem tão bem as obras do artista, sua via, ou as referências religiosas. 

A qualidade da exposição se sente pela qualidade das obras ali reunidas, muitas delas vindas da Inglaterra (da coleção pessoal da rainha Elizabeth ou dos museus do país), Itália, Espanha, dentre outros grandes museus ou coleções particulares espalhadas pelo mundo.

Começamos com o tema da Santa Ana como era representado antes de Leonardo. Santa Ana era a mãe de Maria, ou seja, avó de Jesus. De acordo com os textos bíblicos ela já era falecida no nascimento de Jesus, mas existe toda uma simbologia no fato dos três personagens serem representados juntos.

Em seguida começam os desenhos preparatórios sobre o tema, mostrando cada detalhe da composição. São apresentados pinturas de seus alunos, realizadas no período, a partir de seus desenhos. Podemos observar  pequenos carnês de Leonardo e um de seus manuscritos sobre a incidência da luz sobre um corpo opaco (análise das sombras e luzes). Podemos admirar sua escritura invertida, que não tem nada de lenda: é bem real.

Depois o quadro da Santa Ana com a Virgem Maria e o Menino Jesus é apresentado ao lado do carton emprestado pela National Gallery de Londres. 

Eh verdade que o Louvre apresenta uma coleção invejável com as mais importantes obras de da Vinci e muita gente não sabe porque... Mas em 1517 o artista, já idoso, aceitou o convite do rei François 1º para ser  seu protegido na corte francesa. Ele se instalou na cidade de Amboise (linda, ainda não tive tempo de falar dela) e morou em uma residência fornecida pelo rei que se chama Le Clos Lucé. Ele veio da Itália no lombo de um asno, tendo na sua bagagem com certeza essas 3 obras, que aperfeiçoou mais tarde: La Gioconda (Mona Lisa), São João Batista e esse da Santa Ana. Uma paralisia da mão o impedia de ter a mesma fineza de movimentos nos desenhos e pinturas, mas o que ele mais fez nessa época era trabalhar nas suas invenções, estudar a geometria e se repousar. Ele faleceu 2 anos mais tarde, legando suas últimas obras ao seu mecenas.

São João Batista, obra espetacular do artista, assim como a Madona ao Rochedo, ambas pertencentes ao Louvre e presentes nessa exposição.

Uma curiosidade da exposição é a Gioconda realizada pelos alunos do atelier de Leonardo da Vinci na mesma época da original do mestre, propriedade do Museu do Prado, na Espanha:
Ela foi recentemente restaurada e a grande descoberta foi a paisagem do fundo, inexistente aos olhos do público e especialistas até então! Havia uma camada de pintura preta ao redor do personagem, aparentemente datando do século XVIII. As cores ficaram lindas, mas essa pintura não tem nada a ver com a delicadeza da mão do mestre italiano...

Para completar a exposição, a Santa Anna de Leonardo inspirou artistas como Michelangelo e Rafael, e obras de ambos são ali apresentadas.

Para terminar influências mais modernas e curiosidades: os franceses Degas e Delacroix foram "copistas" do Louvre, quer dizer que por muito tempo tinham o hábito de admirar as obras do museu e copia-lás, e tanto um quanto o outro foram fascinados por essa última obra do grande mestre. Freud também se deixou sucumbir, escreveu uma interpretação de uma das lembranças de infância de Leonardo e por sua vez inspirou o artista surrealista Max Ernst na sua obra "O beijo".

Ufa, acho que consegui sintetizar tudo o que aprendi hoje e nos últimos tempos sobre o tema!
Considero essa exposição atual um complemento da que teve em Londres nesse inverno e motivo pela qual enfrentei frio e neve em fevereiro, que era mais ampla, envolvendo todo o período em que o artista foi pintor na corte de Milão. Na época eu tinha ficado surpresa com a quantidade de desenhos originais dele em possessão da Rainha da Inglaterra (não sei ainda como eles foram parar lá), alguns desses desenhos expostos pela primeira vez ao público. Infelizmente tinha achado as salas com uma estrutura muito precária para acolher o público: muito pequenas, abafadas e LOTADAS, sendo que os ingressos estavam esgotados há meses, então quer dizer que não deveriam ter vendido mais ingressos do que a capacidade do local.
 A exposição de Londres

Informações Práticas:
La Sainte Anne, l'ultime chef-d'oeuvre de Léonard de Vinci
Até o dia 25 de Junho de 2012, no Museu do Louvre.
Preços: 11€ ou 14€ junto com a coleção permanente do museu.

Créditos: as imagens das obras foram copiadas do site www.photo-rmn.fr, que reúne as imagens dos museus nacionais da França, e disponíveis ao uso de todos.

(vídeo em francês com legenda em inglês, mas muito ilustrativo mesmo para quem não domina nenhum dos idiomas!)

sábado, 7 de abril de 2012

O crepúsculo dos faraós: exposição em Paris

Ums dos museus que mais gosto em Paris é o Musée Jacquemart-André. Além de estar situado em um fabuloso hôtel particulier do século de XIX, com uma coleção permanente impressionante, as exposições temporárias são sempre muito bem elaboradas e apresentadas, e de uma excelente qualidade.

Outra coisa que sempre me causa um imenso prazer quando visito o Jacquemart é que, ao contrário dos principais museus do circuito turístico (como Louvre, Orsay e Pompidou, por exemplo), o público que o freqüenta parece realmente interessado no que vê! Nos outros, sempre tenho a impressão que 90% das pessoas que estão lá é para dizer que foram, mas não se interessam por nada e mal sabem o que irão encontrar. 



 Aproveitamos para nos aprofundarmos na história do local e sua coleção permanente, mas desta vez fomos principalmente para a nova exposição "O crepúsculo dos faraós: obra-prima das das últimas dinastias egípcias".

Le Crépuscule des pharaons: chefs-d'oeuvre des dernières dynasties égyptiennes (até 23 de julho de 2012)

A exposição gira em torno de 3 pilares: o homem, o faraó e os deuses (e as diversas formas de representá-los)
As imagens dessas três estátuas foram encontradas no site da exposiçãoe outras reportagens a respeito, sendo as fotos  proibidas nas exposições temporárias.

Peças impressioantes foram reunidas e muitas delas apresentadas pela primeira vez (muitas de coleções particulares). Muita coisa veio de Berlim, Inglaterra e EUA. Obras realmente importantes do mundo da arte que foram organizadas e apresentadas para respeitar uma lógica cronológica e temática.

E minha gatinha (Bastet) preferida, que já tinha visto e fotografado no British Museum de Londres.

Para aprender um pouco mais sobre essa civilização fascinante aconselho o audio-guia da exposição, muito didátido e com explicações excelentes. Infelizmente não tem som em português (mas em inglês).

Desta vez fomos bem no começo da exposição e não enfrentamos fila! Aconselho evitar os últimos dias, pois realmente o tempo de espera pode ser muito longo para quem não comprou os ingressos especiais sem fila.

Site oficial do Museu:
http://www.musee-jacquemart-andre.com/fr/home

domingo, 15 de janeiro de 2012

SAMOURAI no Quai Branly

O Museu do Quai Branly em Paris está apresentando uma exposição de grande qualidade  que traz as armaduras desses guerreiros japoneses, datando principalmente da era Tokugawa (Período Edo, descobri tudo isso na exposição, um dos mais calmos em termos de guerras, entre 1602 e 1867).

Os "samurais" pertenciam à elite intelectual da sociedade japonesa e praticavam geralmente outras disciplinas, como a caligrafia, a poesia e a literatura.  Muitas vezes uma verdadeira fortuna era destinada à aquisição de uma armadura na qual o guerreiro iria encontrar a morte!!!



As armaduras dos antigos guerreiros japoneses (principalmente o capacete) tinham por função mostrar o status do guerreiro e amedrontar o adversário no campo de batalha.

Mas a armadura deveria proteger (claro), ser eficaz e confortável (não me perguntem como!). Para cada uma são necessáras mais de 2 mil peças!




As peças expostas fazm parte da coleção do The Ann and Gabriel Barbier-Mueller Museum, em dallas (EUA), pertencente à Alexis, Marie-gabrielle e Olivier Barbier-Mueller.

Musée du Quai Branly (próximo da Torre Eiffel)
37 quai Branly
218 rue de l'Université
75007 PARIS
A exposição pode ser vista em Paris até o dia 29 de janeiro de 2012.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

La cité interdite au Louvre

O Louvre está com uma nova exposição temporária sobre a China, "A cidade proibida". São 130 obras emprestadas pela China e que retratam o percurso dos grandes imperadores desde o século XIII até o XIX. Eh feito igualmente um paralelo entre as possíveis trocas e relações com a França.
Apaixonada pela China e sua história, nem preciso dizer que adorei a exposição! O ponto alto para mim foram as grandes pinturas em painéis de seda representando cavalos ou paisagens. Magnífico!



O imperador chinês com uma peruca estilo francês da mesma época.

Quando: Até 9 de janeiro 2012. Fechado às terças e 1º de janeiro.
Quanto: 10€ incluindo a entrada normal do museu. Gratuito no primeiro domingo do mês, mas se preparar para uma fila e um pouquinho de espera (nada exagerado!)

domingo, 4 de setembro de 2011

Musée de l'Orangerie, Paris

Sempre que estou em Paris no primeiro domingo do mês aproveito para visitar algum museu ou monumento nacional que é gratuito nessa data! E isso vale para outras cidades francesas que possuem atrações gratuitas! Pode parecer mesquinharia da minha parte, mas eu prezo o meu suado dinheirinho e não hesito quando posso fazer alguma economia!

Hoje foi dia de visitar o Musée de L'Orangerie, muito conhecido por acolher as Nymphéas de Claude MONET. Tratam-se de 8 enormes murais que o pintor começou a criar a partir de 1914.





Mas além dessas obras mundialmente conhecidas de Monet, ele conta com muitas outras, oriendas da coleção de um dos maiores marchands (negociador de obras de arte) parisenses de arte moderna, Paul Guillaume.

A descobrir na coleção permanente do museu:
André DERAIN, com 28 pinturas, dentre elas essas que adorei!

 Madame Paul Guillaume
Arlequin et Pierrot

Amedeo MODIGLIANI, que particularmente tenho um pouco de dificuldades em apreciar, mas que é um artista muito importante da época.

Paul Guillaume
O jovem aprendiz

Marie LAURENCIN, de quem o museu possui 5 telas. Laurencin fazia parte do círculo de artistas e poetas de Picasso e teve uma grande história de amor com o escritor Apollinaire.

Portrait de Mademoiselle Chanel

Portrait de Madame Paul Guillaume

Paul GAUGUIN

Auguste RENOIR, em 24 obras que testemunham sua preferência pela figura humana e particularmente o nu feminino.
 Jeunes filles au piano

De Pablo PICASSO restam 12 quadros. O marchand e colecionador tinha adquirido muitos outros, inclusives do período cubista, mas a sua viúva os vendeu!
Grande Baigneuse
No museu encontramos igualmente obras de Matisse, Cézanne, Rousseau, Sisley, Utrillo, Soutine e Van Dongen.


Eu me senti realmente no meio de um lago com essa magnífica vegetação e colorido!

Musée de l’Orangerie - Jardin des Tuileries
Paris
Acesso: metrô Concorde

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Os maias no museu du Quai Branly, em Paris

        Muitas pessoas dizem que francês é fechado em sua cultura e só olha para o seu próprio umbigo, mas uma boa parte adora "se cultiver" (être cultivé = ser culto), aprender a respeito de outros povos, assistir filmes estrangeiros, visitar exposições e viajar para conhecer um pouco das civilizações atuais e as do passado. E disso tudo podemos perceber uma grande paixão ou preferência pelas culturas asiáticas e americanas (como as antigas civilizações incas, astecas e maias, dentre outras). Cada vez que  uma exposição envolvendo esses temas chega em Paris o resultado é sempre muito sucesso e filas imensas.
         A exposição "do momento", que dura todo o verão (até 2 de outubro) ocorre no Musée du Quai Branly (próximo à Torre Eiffel) é sobre os Maias, esse povo que apareceu por volta de 3 mil antes de Cristo. Aproveitei este domingo (primeiro domingo do mês = museus gratuitos) para visitar conferir por mim mesma!
        A exposição gira em torno de mais de 150 peças oriundas do museu national da Guatemala (berço desta civilização) e provenientes de descobertas recentes nos 17 sites arqueológicos que a Guatemala luta para preservar.


         O mistério maia que até hoje seduz milhões e milhões de pessoas no mundo todo é constituído pela sua escritura complexa, seu calendário adivinatório e sua concepção cíclica do tempo.

Um mosaico de conchas e de jade (200 d.C) representando o deus da morte, a peça escolhida para o cartaz principal. A peça é minúscula mas a expressão do olhar do personagem é incrivelmente VIVA!

A exposição em algumas imagens:



Também interessado em aprender um pouco mais a respeito de outras culturas?

Les Mayas, de l'aube au crépuscule
Musée du Quai Branly
37, rue du quai Branly, Paris 7ème