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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Como aliviar o estresse ?

Um post recente sobre o trabalho na França causou um certo alvoroço por aqui, devido às opiniões contraditórias e formas diferentes de olhar e enfrentar o mundo do trabalho! 

Como vou lendo de todos os lados e depois não lembro mais onde vi, ouvi ou li, queria deixar registrado os dados de 2010 do Instituto de Médecine Enrironnementale trazidos na revista Santé desse mês. De acordo com esse instituto, 61% dos franceses, estressados pelo trabalho, adoecem. E desde 2009, a França é o segundo país que mais consome tranquilizantes por habitantes (só perde para a Espanha). E só no ano passado foram vendidos 84 milhões de caixas de tranquilizantes por aqui.

Por aqui, quem fala em estresse no trabalho lembra de cara a onda de suicídios que assolaram o Centro de Pesquisas Renault nos últimos anos, e não eram de funcionários de "baixo escalão" não, mas de engenheiros qualificados e com bons cargos. Além desta conhecida empresa, a France Telecom também foi tocada por  sequências de suicídios. Nos dois casos, testemunhas, colegas e famílias relatam o extremo extresse em que viviam essas messoas nos últimos meses, a desvalorização, a sobrecarga de trabalho que os "obrigava" a trabalhar à noite, finais de semana e feriados... 

Bem, não estou a esse ponto, mas felizmente estou aliviada após quase uma semana de estresse no tarbalho. Minha chefe de folga até ontem, eu tinha a impressão de que o trabalho não andava entre minha colega e eu. Ela não tomava nenhuma iniciativa para começar as atividades que possuem prazos definidos (e curtos), mas ficava inventando e dando idéias que não cabem no contexto e querendo fazer do seu jeito. 

Quarta-feira cheguei (depois dela, pois também termino após ela) e a mesma tinha feito tudo ao contrário do que eu tinha explicado. Perguntei se ela não tinha entendido as ordens deixadas pelos superiores e/ou a minha explicação/definição de tarefas, no início ela disse que não tinha entendido... Depois ela mudou de discurso e disse que achava melhor do jeito dela. 

Eu disse que não era o momento para fazer "do jeito dela" sem consultar os superiores, pois se trata de um período crucial, com muita sobrecarga de trabalho (até o final do ano), e temos regras e procedimentos explícitos a seguir. No final ela corrigiu algumas coisas e em outras bateu pé que o jeito dela era melhor...
Resultado: ontem era SEU dia de folga e minha chefe ME pediu para refazer tudo, pois não estava nas normas! Tive que fazer o meu trabalho e o da colega! 

Felizmente a chefe elogiou a qualidade do meu trabalho (é a quarta vez em 2 meses que me propõe uma promoção mas eu prefiro não aceitar, pois sei bem que essa promoção me porporcionará mais responsabilidades, mais status, mas ao mesmo tempo muito mais estresse e o aumento de salário para mim não chega a compensar).

Pior é que nesses momentos de turbulências no trabalho não consigo dormir, fico superagitada, trabalho feito uma louca, leio feito uma louca, navego na internet feito uma louca, como se estivesse ligada o tempo todo no 220 volts. Como conseqüência não durmo o suficiente, acordo já com dor de cabeça...

Mas adepta dos meios naturais e alternativos, nunca tomei um medicamente para isso na vida. Aqui seguem algumas dicas que me ajudam a me acalmar, quem sabe um dia desses alguém mais pode precisar?

- um banho relaxante aos óleos essenciais de lavande, ou a verveine (verbena, seria o quê em português? o cheirinho é cítrico). Funciona que é uma beleza! Tem até mesmo um banho espumante de verveine que aconselho às crianças (com mais de 3 anos), elas ficam calminhas, calminhas...

- um cházinho antes de dormir, que não seja chá preto ou quarquer outro estimulante. Ainda tenho erva-doce que trouxe do Brasil, mas gosto muito da verveine. As folhas secas de verveine são assim:

- Se está friozinho, esquento a minha "bouillotte" (bolsa de água quente) e coloco contra a barriga... Que sensação boa! (ótima também para as cólicas menstruais).
Ainda mais eficaz se for "fofinha" como a minha!

- Apago a luz e fico alguns minutos à luz de uma vela perfumada relaxante, como de lavanda.

- Prefiro o silêncio; nesses momentos, até música estilo "relaxante" me irrita.

- Um outro produto que me ajuda muito a dormir é uma bruma perfumada para o travesseiro a base de lavanda, gerânio e árvore do chá. 

- Uma massagem leve com produtos relaxantes (mas faço o meu massoterapeuta pessoal assinar um termo dizendo que posso dormir logo após a massagem!)

Aposto que com tudo isso a gente consegue passar longe 
dos medicamentos!!! 
Claro que nada disso trata apenas os sintomas, não trata as causas. 
Para tratar as causas o tratamento é outro !

E qual é a sua dica para aliviar o estresse? Se é que isso existe na sua vida?

domingo, 26 de junho de 2011

Passando o tempo com revistas!

          No Brasil era raro alguém me ver com revistas. Lembro que de vez em quando, quando era adolescente e sobrava um dinheirinho, comprava a Capricho. Mais tarde, a que eu gostava mesmo era a Nova, mas adquiria raramente, pois achava supercaro!
          A vantagem é que aqui na Europa (imagino que nos EUA seja a mesma coisa), as revistas custam quase nada! Por exemplo, a Elle custa 2€ (comparando com os salários em euros, dois não é nada). Acabo lendo muita revista feninina para me atualizar sobre tudo que é cosmético (já que trabalho para uma empresa francesa do setor), algumas eles disponibilizam, outras leio na academia (todos os dias tem centenas e centenas à disposição dos clientes), e algumas eu acabo comprando mesmo, tudo custando entre 1 e 3 euros.
          Até comecei a fazer algo que antes nunca fiz na vida: leio essas revistas de fofocas sobre os artistas (estilo "Contigo", nunca nem tinha aberto uma!), que aqui na França as mais conhecidas são Closer, Voici e Public. As vezes depois do jantar, quando estamos cansados e não queremos fundir o cérebro, cada um pega uma revista e depois ficamos discutindo sobre a vida alheia (dos artistas!). A noite sempre acaba com muitas risadas!!!
          As femininas clássicas são a Marie Claire, Elle e Vogue, por exemplo, mas eu gosto muito das mais populares, com dicas de moda para pessoas "normais" que não podem ficar comprando toda a nova coleção Chanel!!! Nesse espírito, gosto muito da "Be" (jovem) e "Femme Actuelle"(menos jovem). Sem contar que contribui para a minha evolução na língua francesa falada no dia a dia...
          E sabiam que o conteúdo não muda quase nada das revistas brasileiras para as francesas? Quando o verão se aproxima é sempre a mesma correria para entrar em forma, perder a barriga, a celulite... Aventuras e desaventuras amorosas e sexualidade. Um pouco de carreira e filhos, outras preocupações das francesas.

Para uma leitura bem culta, não pode faltar o Courrier International...
O lado negativo é saber que tudo isso é lixo e termina no lixo...

E você, lê revistas para se distrair? De que tipo?

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia dos direitos da Mulher

          A vida inteira ouvi essa piada no dia 8 de março, tanto da parte de mulheres quanto de homens: "não é justo, não existe um dia do homem".
          Por muito tempo, quando ainda era criança e talvez mesmo adolescente e não entendia muito bem as coisas, até pensava "é mesmo". Mas aos poucos percebi que mesmo vivendo em uma "aparente igualidade", é como se todos os outros 364 dias do ano pertencessem aos homens, sendo apenas um dia dedicado às mulheres.
          Falo de "aparente igualidade", pois na realidade não existe essa igualidade tão sonhada por muitos, e o mais gritante está no mundo do trabalho.
         Os homens ainda ganham mais (para cargo, diploma, experiência e setor de atividade equivalentes) e são MUITO mais numerosos em cargos de chefia. Isso acontecia no Brasil (país de grande desigualdade, o que esperar?) mas também acontece na França, país dos direitos sociais, da liberdade, igualdade e fraternidade. Mesmo aqui as mulheres estudam mais que os homens, mas ainda assim ganham menos e chegam raramente aos cargos de diretoria. Se formos falar em estatísticas, os jornais de hoje falam em 17% (há um mês atrás um grande estudo sobre os Franceses* falava em apenas 8.9%; mas seja 17% ou 9%, é baixo assim mesmo).
          Na função pública elas são maioria (52%), mas obviamente minoria em cargos mais elevados: apenas 10% dos cargos de prefeito (uma posição com mais autoridade que no Brasil, já que o nosso prefeito brasileiro seria o equivalente ao maire francês, o prefeito é responsavel por um departamento que compreende diversas cidades e diversos maires, ou uma região, a partir de uma nomeação) e embaixador são preenchidos por mulheres. Apenas 20% das universidades possuem uma reitora e 1 diretor de hospital entre 6 é uma mulher. Projetos de lei preconizam que até 2017 40% dos cargos de direção na função pública sejam preenchidos por mulheres.
          O primeiro ministro francês François Fillon reconhece o problema da mulher no mercado de trabalho, mas também disse ontem que as mulheres mostram menos ambição que os homens...
          Tudo isso para reforçar que se quisermos igualdade, ainda temos muito caminho pela frente...
                                                                                                                                                     Google imagens
         O problema é que estamos adquirindo essa igualdade de forma totalmente equivocada!!! Por exemplo, o cancer vem diminuindo na maioria dos países desenvolvidos... Com exceção do câncer de pulmão em mulheres. Ou seja, na busca pelo mesmo direito de fumar, estamos morrendo como os homens.
Além disso, estatisticamente, mulheres no volante cometem menos acidentes que homens e mesmo quando cometem, o resultado é bem menos grave, o que resulta em um seguro mais barato para as mulheres (isso também existe no Brasil). Entretanto, em nome da igualdade entre sexo, uma lei foi aprovada recentemente que exige que as mulheres paguem o mesmo valor que os homens... Ou seja, nós ganhamos menos, somos mais conscienciosas no trânsito, cometemos menos acidentes, e ainda pagamos caro por isso!!!

          E isso porque nem citei a sexualidade, pois mesmo ainda hoje a mulher ainda não pode viver livremente a sua sexualidade (em comparação com a liberdade e aceitação social da sexualidade masculina)

Como é a realidade das mulheres no país em que vocês vivem?

quinta-feira, 3 de março de 2011

Que lição podemos tirar de Galliano?

          Todo mundo deve estar informado a respeito do escândalo do momento, que envolve o estilista John Galliano (que teria agredido verbalmente uma mulher em um bar com propósitos racistas, pior ainda, anti-semitas, e como se ainda não bastasse, um video caseiro circula pela internet com o costureiro, bêbado, compartilhando idéias nazistas de Hitler). Tudo bem que todo mundo sabia que ele tem uma obsessão pela beleza, ou melhor, um horror do que ele chama "feiúra", mas daí a lançar esse discurso nazista?
          Muitos questões a serem discutidas são levantados desse caso Galliano. Uma delas seria o anti-semitismo que ainda existe em praticamente todo canto do mundo (para não falar de toda intolerância religiosa), mas com um destaque especial para a França que infelizmente teve e parece que ainda tem muito preconceito contra os judeus. Não conheço as estatísticas, mas tenho amigos judeus que vivem em outros países e eles sempre me dizem isso. Não sou especialista em história, mas sou uma apaixonada por essa disciplina e sempre li e me informei muito, principalmente sobre a 2ª Guerra Mundial, e cada vez estou mais convencida de que a França foi muito tolerante com o nazismo, fechando os olhos enquanto judeus estavam sendo massacrados, e inclusive denunciando em massa às autoridades nazistas da época! E ainda por cima, ainda hoje quando entro em uma conversa sobre judeus com franceses, eles em primeiro lugar parecem não saber do que se trata, mas repetem como robôs que "os judeus são extremamente capitalistas, só pensam em dinheiro, fazem de tudo, inclusive passar por cima dos outros para crescer financeiramente, são desonestos e 'mão de vaca' ao extremo". Ainda chichês, mas a gente tem uma idéia do estigma. E ainda sempre citam o conflito Israel X Palestina, com os judeus como principais culpados e violentos. Mas não vou seguir por essa via pois realmente não é um assunto que domino e não é o objetivo do meu tópico.
          Outro ponto que eu não poderia deixar de citar é o brilhantismo de Galliano. Confesso que estou profundamente decepcionada com esse comportamento dele, um ícone da moda, uma pessoa de talento ilimitado e capaz de demonstrar em cada desfile a sua explosão de criatividade.
          Porém onde realmente eu queria chegar é no quanto atitudes e comportamentos podem interferir na carreira profisisonal. Galliano foi imediatamente suspenso após os fatos de suas atividades de diretor de criação para a marca DIOR, e a mesma anunciou recentemente o seu processo de demissão.
         Nas minhas andanças como psicóloga organizacional e gerente de RH sempre defendi a importância de analisar o "perfil psicológico" (ou comportamental, como preferirem) antes de contratar alguém. E para mim a personalidade do profissional é tão ou mesmo mais importante que o seu perfil técnico para o bom desenvolvimento de suas tarefas, para a sua saúde mental e para a "saúde" da empresa, é claro. Conhecendo um pouco do perfil do candidato, podemos  prever potenciais comportamentos que podem estar em desacordo com a empresa ou que mesmo podem vir a causar sofrimento ao profissional. Muitas vezes os PDGs preferem ignorar todos os riscos ao contratar um gênio, mas podem estar equivocados, como bem prova o caso Galliano (como fica a imagem da Dior às vesperas da Fashion Week?) e muitos outros que a gente vê por aí (como o caso da seleção francesa na última Copa do Mundo e o seu Selecionador/ Treinador)
          Só para ilustrar, lembro que não indiquei uma candidata para um determinado cargo pois ela me pareceu muito frágil, com medo "dos homens", e saliento que o problema seria apenas para ESSE cargo, pois justamente ela trabalharia com uma enorme equipe TOTALMENTE masculina. Mas resolveram contratá-la mesmo assim pois minimizaram o problema, acharam frescura estavam precisando e ela tinha um bom perfil técnico, mas já nos primeiros dias começaram os problemas e reclamações da parte dela: ela não suportava os colegas homens, a conversa deles (que só falavam de mulher, sexo, futebol, carro e cerveja), ela não conseguia interagir com ninguém, reclamava que almoçava sozinha (mesmo sendo inicialmente convidada para almoçar com o grupo) e reclamava até mesmo que sentia muito frio, pois os escritórios tinham realmente o ar condicionado bem potente, os rapazes achavam ótimo, mas ela trabalhava com 2 blusões de lã. Ela me ligava todo dia reclamando e dizendo que não aguentava mais, mas eu não poderia mudar uma equipe de 100 pessoas (que funcionava bem) em detrimento de uma pessoa, o que vocês acham? Não demorou muito para ela começar a entrar em atestado (estava todo o tempo doente e não ia trabalhar), até que ela não aguentou mais e pediu demissão.
          Em outro caso, para um grande cliente internacional, eles descobriram que um dos gerentes de projeto estava baixando filmes pela rede da empresa e o mesmo foi demitido na hora, não teve conversa, advertência nem nada. A empresa fortemente engajada na luta contra a pirataria (uma imagem que ela vende no mundo inteiro) preferiu perder um profissional chave de um projeto importante.
          E no dia a dia, cada vez que chegava uma candidata para um cargo em uma empresa formal,  vestida de calça cintura baixa, blusa curta mostrando o umbigo com o piercing, e quando sentava a gente via o fio dental, eu era clara e direta: explicava que se tratava de uma empresa formal, com certas regras vestimentares a respeitar e perguntava se ela estava disposta a seguir essas regras. Se ela vinha com o discurso da liberdade, que o trabalho dela independia da forma como ela se vestia, etc... Ela podia se considerar fora da lista dos candidatos indicados...
          Sinto muito, mas na maioria das empresas não existe tanta liberdade assim e existem sim muitas regras a serem respeitadas... A gente não pode se vestir de qualquer jeito nem dizer o que quer... para o bem e para o mal. Galliano está aí para nos mostrar que mesmo um gênio pode perder seu lugar ao sol.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A integração passa pela linguagem (???)

          Conversando com uma amiga brasileira que mora na Itália há alguns anos, nós duas estávamos de acordo que o primeiro passo para a integração em um outro país (e a explicação do nosso "sucesso" nesse sentido) é o domínio da língua. Se mesmo para uma criança a socialização passa pela linguagem (seja ela falada, de sinais, etc.), imagina para um adulto?
          Sempre fui fascinada pela história de Helen Keller, uma americana nascida em 1880 que desde os seus  dois anos de idade era surda, muda e cega. Como apresentar o mundo da linguagem a uma criança com essas restrições? Com a ajuda de Ann Sullivan, que se tornou sua professora, tudo isso foi possível. Não falo de milagre, não! A técnica consistia na utilização da linguagem de sinais, mas como a criança também era cega, ela aprendia pelo tato. Helen Kellen não é a única a ter limitações importantes e ter conseguido vencer seus próprios limites.
          Fiz esse breve relato para dizer que não compreendo porque algumas pessoas não consideram importante aprender a linguagem do país em que vivem. Se a estadia é temporária eu até entendo, pois afinal o investimento (energia, tempo e muitas vezes dinheiro) é muito alto, mas se é para permanecer por um tempo indeterminado, na minha opinião o aprendizado do idioma deveria estar no topo da lista de prioridades.
          (Na minha opinião, sempre), é a linguagem que vai nos permitir de realizar as atividades do quotidiano, como fazer a feira, fazer compras, realizar todas as burocracias administrativas (e aqui na França elas são muitas!), seja pessoalmente, por telefone ou através de cartas! Se a gente não possui um bom nível, podemos acabar dependente dos outros (marido, filhos, etc) e essas atividades simples podem virar um martírio e roubar a nossa autonomia.
         Eh o bom uso da linguagem também que vai interferir no tipo de emprego que vamos ter. Alguém pode contratar um estrangeiro que não fala francês para fazer faxina, mas para um outro tipo de emprego, que exige contato com outras pessoas, telefone e comunicação escrita, aí vai ser difícil. Tem muita gente que trabalha como babá sem falar o idioma, porém eu não contraria uma babá que não fala francês (se eu tivesse filho!) por razões simples: se acontece um problema com a criança, qual vai ser a reatividade dessa pessoa para procurar ajuda? Como ela vai se comunicar com os hospitais, bombeiros, polícia, etc, quando ainda por cima o primeiro contato é por telefone? Como ela vai explicar o problema? Eu não teria confiança (nesse aspecto, que fique bem claro).  
          E como terceiro ponto importante (se não esqueci nenhum) está a socialização. Eh através da língua que teremos contato com locais e pessoas de outras nacionalidades que não apenas a nossa. Tem muita gente que prefere apenas contato com brasileiros, vai da escolha de cada um, mas eu prefiro não viver em guetos e poder me comunicar e enriquecer as minhas relações com pessoas que me interessam, independente da nacionalidade.
(Cécile é de origem coreana e Seko vem do Togo)

          Aqui seguem algumas dicas para aprender francês (que pode ser adaptada a outros idiomas). Não é o único, mas eu gostaria de compartilhar o caminho que utilizei:

1. Quando ainda estava no Brasil, coloquei as lições de francês e músicas em francês no meu mp3 e escutava todos os dias durante o meu trajeto de ida e volta ao trabalho. Isso me permitiu uma boa familiarização com o idioma.

2. Ainda lá, todas as noites assistia ao menos a um filme ou série em versão original francesa ou dublada em francês. Aos poucos eu ia associando as imagens com o discurso e conseguia compreender pelo contexto.

3. Comecei a ler livros infantis em francês, pois são bem simples e permetem enriquecer o vocabulário básico.

4. Já aqui na França, raramente assisti televisão brasileira. Quando ligava a TV, prefiria programas em francês para me adaptar com a linguagem e também com as "personalidades" que passam pela TV. Sempre me senti meio idiota quando alguem falava de alguém famoso, como a Gloria Pires "francesa", e eu nunca tinha ouvido falar da criatura... Ou então mostravam o ministro das finanças, da imigração... Eu não me sentia bem em um país e estar completamente alienada em relação ao contexto político.

5. E se vocês não possuem um excelente professor particular em casa (mesmo que um tantinho exigente), como eu tive a sorte de ter, impossível abrir mão de um curso de francês. O curso vai fornecer a disciplina para quem não a tem e favorecer o ambiente de comunicação em francês.

6. Eu ainda tive a sorte de ser uma devoradora de livros. Leio tudo e qualquer coisa, e desde que cheguei não tive medo de me aventurar a ler tudo em francês.

          Aprender francês é uma tarefa árdua, mas é ao mesmo tempo um combate decisivo para quem vive aqui, em todos os sentidos do verbo viver.

      E o resultado compensa, quando conseguimos vencer o silêncio e podemos traduzir nossos pensamentos em palavras que os outros podem compreender.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

31 de dezembro: onde ir?

           Festejar o reveillon em Paris é caro... Seja uma discoteca para os mais descolados, seja um jantar para os mais tranquilos, os preços sobrem de forma absurda, e é dificílimo conseguir um lugar de última hora sem reservar com uma (boa) antecedência.
          Mas por que todo mundo sonha em passar a virada do ano em Paris? Talvez sonhem com a torre Eiffeil e com a Champs-Elysées iluminadas e com fogos de artifício... Vale lembrar que isso só mesmo em sonho! Dezenas e dezenas de pessoas que foram para as ruas nesta data me contaram que não houve fogos...  Parece que por aqui é proibido dentro das cidades (também não se encontra para vender e queimar fogos no jardim de casa! Outra medida de segurança)
          No meu primeiro reveillon aqui, eu tinha a intenção de jantar em casa e depois ir à Paris "ver o movimento", mas as temperaturas negativas me tiraram rapidinho essa idéia da cabeça. Foi aí que começaram a me contar que na verdade não tem fogos, apenas milhares e milhares de pessoas aglomeradas nas ruas, boa parte delas bêbadas, transportes lotados, estações fechadas por questão de segurança, e muito roubo, pois muita gente desonesta aproveita a ocasião para roubar bolsas e carteiras de turistas e outros desavisados no meio da multidão. Tô fora!!!
          Mas para quem está aqui na data, a minha dica é conseguir um convite para uma legítima ceia de Natal na casa de alguém. A comida geralmente não vai decepcionar, mas outros quesitos podem deixar a desejar... Para quem não teve essa sorte, o jeito é "garimpar" um restaurante de acordo com seu bolso e expectativas.
          Sugestões:
Le Calife: jantar e cruzeiro no Sena. Menu à 98 euros, sem as bebidas, com festa Rock após o jantar. Estive neste restaurante em 2009 e adorei o serviço e a comida! Uma decoração simples, mas a magia de Paris iluminada faz o resto!!!
Les Ministères: jantar à 135 euros, com festa dançante até o amanhecer. Inclui vinho durante as refeições e uma garrafa de champagne para duas pessoas. Já estive nesse restaurante a muitas reprises, adorei igualmente o serviço e a comida. Decoração requintada do início do século (passado).

          O dia 1º de janeiro é infelizmente dia também para fazer o balanço de quantos carros foram queimados e outros atos de vandalismo foram realizados na virada do ano. Meus anos e anos de estudos ainda não me fizeram compreender (muito menos aceitar!) esse fenômeno. Mas o que faço é esperar que 2011 seja diferente!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Viver plenamente o inverno!

O inverno começa oficialmente na próxima semana, mas há um mês estamos enfrentando na Europa, e incluindo Paris, temperaturas baixíssimas. Se os europeus já torcem o nariz para esse frio todo, imaginem os brasileiros, que na maioria dos casos vêem de regiões bem quentes do Brasil.

Estou entrando no meu terceiro inverno francês, então tenho algumas astúcias para compartilhar com vocês para tornar esse frio todo mais suportável!

1. Investir em um bom casaco, de preferência relativamente comprido para cobrir o bumbum. Eu prefiro os casacos com no mínimo 70% de lã.

2. Proteger as mãos não apenas com luvas (indispensável), mas também com creme para as mãos. Já testei praticamente muitos, mas o mais eficaz para mim é o creme para as mãos ao Karité, da L'Occitane.

3. Proteger a cabeça e o pescoço (gorros e écharpes, respectivamente). Dizem que perdemos 20% do calor do corpo pela cabeça e 20% pelo pescoço, então não dá para dar bobeira! Eu prefiro as écharpes bem grossas e longas. Vocês podem pensar que ninguém fica bonita desse jeito, mas li em uma revista que quanto mais voltas (com écharpes) damos no pescoço, maior é a vontade do outro de desfazer todas essas voltas... lol

4. Esqueça as blusinhas básicas de algodão que nossas mães tanto nos aconselharam, elas não são nem um pouco eficientes no inverno daqui. O algodão permite a transpiração, e em pouco tempo estamos molhados e sentindo frio. Melhor optar pelos tecidos sintéticos, especiais que existem aqui, que são realmente adaptados para suportar frios rigorosos. Blusas e calças para usar por baixo são tradição em lojas como Damart, muito famosa por aqui (cara e com reputação de ser loja para a terceira idade!), mas existem roupas equivalentes na moderna e branché (na moda)  UNIQLO. Outras opções, geralmente mais em conta, são as lojas especializadas em artigos esportivos como GO Sport e Decathlon, no setor especializado para esporte para a neve (não estou exagerando não!!!).

5. Um chocolat chaud (chocolate quente) para aquecer, hmmm, nada melhor!!! Ah, também vale um vin chaud (vinho quente)! Se for no marché de Noël (feirinha de Natal) é ainda melhor!!!

Prontos para o inverno???
Alguns endereços:
Uniqlo: em Paris (17, rue Scribe 75009) e  La Défense (Niveau 1 Centre Commercial Les 4 Temps)
Damart: diversas lojas espalhadas pela França (conferir pelo site a loja mais perto de você: http://www.damart.fr/)